A gente olha espinha, olheira, linha de expressão, celulite, gordura localizada… mas a orelha? A orelha passa ilesa. Coitada. Só entra no radar quando aparece um brinco novo ou um fone caro. Até que, de repente, ela vira notícia.
A morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante, trouxe de volta um alerta pouco conhecido fora dos consultórios: a famosa prega diagonal no lóbulo da orelha, também chamada de Sinal de Frank. Aquela ruguinha atravessada que muita gente acha charme, genética ou “idade chegando”.
Spoiler nada animador: pode ser mais do que estética.
Descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico americano Sanders T. Frank, o sinal chamou atenção porque aparecia com frequência em pacientes com doença obstrutiva das artérias do coração.
Desde então, a medicina vem observando essa dobra como uma possível pista de que algo não vai tão bem por dentro — mesmo quando por fora está tudo aparentemente normal.
Segundo o cardiologista Dr. Filippe Filippini, cardiologista clínico e intervencionista, membro titular da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, o Sinal de Frank é uma alteração no lóbulo da orelha caracterizada por essa prega diagonal, e hoje já se sabe que ele não está relacionado apenas ao coração.
Ele também pode indicar alterações nas artérias que levam sangue ao cérebro e aos membros, como as pernas. Ou seja: estamos falando de um possível marcador de doença multivascular.
Antes de sair desesperado analisando a própria orelha no espelho do banheiro: calma. Ter o Sinal de Frank não significa, automaticamente, que você vai ter um infarto. Não é sentença, nem diagnóstico fechado. Mas, como todo alerta do corpo, ele merece atenção.
Pacientes que apresentam essa alteração têm maior probabilidade de desenvolver problemas cardiovasculares, especialmente quando o sinal vem acompanhado do combo clássico que a gente insiste em fingir que não vê: pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e excesso de álcool.
E tem um detalhe importante: não é igual ter a prega de um lado ou dos dois. Quando ela aparece de forma bilateral (nas duas orelhas) e mais profunda, a associação com doenças cardíacas é considerada maior pelos especialistas.
Traduzindo para o português claro: quanto mais marcada e simétrica a dobra, mais alto o alerta.
O que fazer, então, se você percebeu essa ruguinha estratégica ali no lóbulo? Fingir que é charme não ajuda. O caminho correto é simples (e nada glamouroso): marcar uma consulta com um cardiologista, fazer uma avaliação completa, exame físico e investigar os fatores de risco.
Com acompanhamento adequado, dá para ajustar pressão, alimentação, hábitos e rotina antes que o corpo precise dar avisos mais barulhentos — daqueles que não pedem licença e mudam a vida em segundos.
No fim das contas, o Sinal de Frank é isso: uma pista. Não é profecia, mas também não é detalhe estético aleatório. É o corpo cochichando algo que talvez a gente precise ouvir antes que ele resolva gritar.





