O síndico do prédio da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, a matou no subsolo e usou as escadas para não ser filmado, segundo a Polícia Civil. Cléber Rosa de Oliveira foi preso temporariamente na madrugada desta quarta-feira (28), junto com seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, suspeito de auxiliar na ocultação de provas. O crime aconteceu em Caldas Novas, no sul de Goiás.
O g1 entrou em contato com a defesa do síndico, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa de Maykon Douglas não foi localizada.
Após o corpo da corretora ter sido encontrado em uma área de mata, depois de mais de 40 dias desde o seu desaparecimento, a Polícia Civil de Goiás (PC-GO) realizou uma coletiva de imprensa nesta manhã para esclarecer o caso.
Segundo o delegado André Barbosa, o síndico foi preso por suspeita de homicídio, enquanto Maykon é suspeito de ter auxiliado o pai e obstruído a investigação. Além deles, o porteiro do prédio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. O nome dele não foi divulgado.
De acordo com a polícia, Cléber Rosa de Oliveira interceptou Daiane no subsolo, para onde a corretora desceu para verificar a queda de energia. Segundo o delegado, o síndico relata que eles tiveram um atrito quando o crime aconteceu.
Detalhes de como Daiane foi morta ainda não foram esclarecidos pela investigação, pois o investigado ficou em silêncio quando foi perguntado sobre a dinâmica da morte da corretora.
Além disso, o local onde ficam os disjuntores de energia são um ponto cego das câmeras de segurança, segundo a polícia. De acordo com o delegado, algumas imagens mostram o carro de Cléber saindo com a capota fechada e voltando com ela aberta cerca de 40 minutos depois.
Corpo encontrado
O corpo de Daiane foi encontrado nesta quarta-feira (28), após as prisões. Segundo apuração da TV Anhanguera, Cléber confessou o crime e indicou onde deixou o corpo da corretora em Ipameri, a cerca de 15 km de Caldas Novas.
Segundo informações da repórter Ludmilla Rodrigues, o corpo foi encontrado em estado de decomposição avançado em uma região de mata. Ainda de acordo com a apuração da repórter, o síndico contou que houve uma discussão acalorada entre os dois e que agiu sozinho.
O síndico não revelou a motivação do crime, mas de acordo com a polícia a suspeita é de que ele tenha matado Daiane por conflitos comerciais.
Na coletiva de imprensa, os investigadores informaram que os apartamentos eram administrados pelo síndico, mas a família passou o controle para Daiane, o que causou conflitos entre os dois.
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O corpo de Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi encontrado em área de mata em Caldas Novas, Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Georgiana dos Passos
De acordo com apuração do g1 Triângulo e Alto Paranaíba, o corpo será sepultado em Uberlândia, sua cidade natal.
Desaparecimento
Daiane estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro de 2025. Naquela noite, a corretora enviou um vídeo para uma amiga, mostrando que a energia de seu apartamento havia sido cortada.
Nas imagens, ela grava o hall do apartamento mostrando que apenas a sua casa estava sem energia. Em seguida, ela entra no elevador e diz que iria até o subsolo para tentar descobrir o que havia acontecido.
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Corretora de imóveis Daiane Alves desaparecida em Caldas Novas no prédio em mora. — Foto: Arquivo Pessoa/Fernanda Alves e Reprodução TV Anhanguera
“Era normal aqui a gente passar por esse tipo de problema [falta de energia], então a gente já se prevenia gravando o que estivesse acontecendo”, disse Nilse Alves, mãe de Daiane.
A corretora encontra um morador no elevador e eles descem na portaria do prédio às 18h57. Minutos depois, as câmeras mostram Daiane entrando novamente no elevador e saindo às 19h. A partir do momento em que ela desembarca no subsolo, não foi mais vista.
Câmeras de segurança
No início das investigações, a família não tinha informações sobre imagens no subsolo do prédio, mas na última semana a polícia apreendeu o gravador das imagens para fazer uma perícia e identificar se houve adulteração.
Além do gravador das câmeras de segurança, a Polícia Civil recolheu também os objetos pessoais que estavam no apartamento da corretora.
Perseguição e denúncias
Ao todo, são 12 os processos relacionados a Daiane e Cléber. Após o início das investigações, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o síndico pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função. A informação foi confirmada pelo advogado da família.
De acordo com a denúncia, Cléber teria utilizado a posição de síndico para criar obstáculos à rotina de Daiane, passando a vigiá-la por meio do sistema de câmeras do condomínio e a submetê-la a constrangimentos.
O MP também afirma que ele monitorava toda a movimentação de Daiane e de hóspedes pelas câmeras e enviava imagens à própria irmã.





