O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21), que “ama” a Europa, mas que o continente “está na direção errada” em diversas de suas políticas, como energia, migração e comércio, por exemplo.
“Eu amo a Europa e quero ver a Europa ir bem, mas ela não está indo na direção certa”, disse Trump na reunião anual do Fórum Econômico Mundial.
Segundo o presidente estadunidense, certos lugares no continente “já não são reconhecíveis”. Trump afirmou também que a Europa, atualmente, está “recheada de empregos sujos”
O comentário acontece diante de incertezas entre Washington e Bruxelas, após Trump ameaçar impor tarifas progressivas contra oito países europeus, diante das investidas americanas para a aquisição da Groenlândia, que pertence à Dinamarca.
Uso de força na Groenlândia
Trump afirmou que não falaria sobre a questão da Groenlândia em seu discurso, mas que decidiu abordar o tema perante líderes de todo o mundo.
O presidente americano pediu negociações imediatas para um acordo de aquisição da ilha e afirmou que não usaria a força em sua campanha pela região.
“Estou buscando negociações imediatas para, mais uma vez, discutir a aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos”, disse ele aos líderes mundiais reunidos em Davos.
“Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo, tudo o que pedimos é a Groenlândia, é para a proteção do mundo”, disse. “Não conseguiremos nada a menos que eu use força excessiva, mas eu não farei isso”, acrescentou.
Trump disse também que somente os EUA são capazes de garantir a Groenlândia e que a necessidade urgente de negociações não tem nada a ver com terras raras.
“Somos um poder muito grande, vocês viram há semanas na Venezuela”, disse o presidente dos Estados Unidos.
Trump citou que seu país devolveu a Groenlândia à Dinamarca após o fim da Segunda Guerra Mundial e afirmou que os Estados Unidos foram “burros” por esta decisão.
Segundo o presidente americano, os dinamarqueses são “ingratos” por não atenderem a demanda de seu país. “Tudo que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamada Groenlândia.”
Para Trump, a região do Ártico será crucial para a paz mundial. “Se houver uma guerra, muito da ação vai acontecer naquele pedaço de gelo.”
“Injustiça” da Otan
Trump alegou que a Europa e a Otan não valorizam o trabalho que Washington faz pela segurança da região e que os Estados Unidos têm sido “tratados de maneira muito injusta” pela aliança.
“Nunca recebemos nada da Otan, pagamos por quase toda a aliança” disse. “É sempre uma via de mão única”, completou.
Crescimento da economia americana
Trump também afirmou que a economia dos Estados Unidos está em expansão e que os investimentos no país estão disparando, enquanto a inflação, segundo ele, foi derrotada.
“Vocês verão um crescimento que nenhum país jamais viu. A estimativa de crescimento do quarto trimestre de 2025 dos EUA é de 5,4%”, informou Trump, ao dizer que as pessoas “estão felizes” com ele e que a inflação subjacente ficou em 1,5% no 4º trimestre de 2025.
Trump disse acreditar que suas políticas podem impulsionar “ainda mais” o crescimento e mencionou que pretende elevar os padrões de vida.
De acordo com o republicano, a produção de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA “está nas máximas históricas”, a produção de petróleo americano aumento 730 mil barris por dia, e o país “está com tudo” na energia nuclear.
Segundo Trump, o país precisa dobrar a produção de energia atual, principalmente por conta da demanda de inteligência artificial – setor que, segundo ele, é liderado mundialmente pelos EUA – e investirá “pesadamente” na energia nuclear.
“Podemos ter energia nuclear a bons preços e de forma segura”, disse.
Tarifas a outros países
Em Davos, o presidente dos Estados Unidos se vangloriou de feitos realizados em sua administração durante o último ano e defendeu a imposição de tarifas contra outros países, que, segundo ele, serviram para que eles pagassem prejuízos causado aos EUA.
“Com tarifas, reduzimos déficit comercial americano, que era um dos maiores do mundo, sem causar inflação”, disse, ao mencionar que as tarifas ajudaram a reduzir o déficit mensal dos EUA em 77%.
Segundo ele, nações europeias, o Japão e a Coreia do Sul são parceiros norte-americanos.
“Quando os EUA vão bem, os outros países acompanham”, afirmou.





