ET de Varginha foi história de ‘ficção’, concluiu inquérito da Justiça sobre episódio há 30 anos

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Suposto ET seria, na verdade, homem que costumava ficar agachado na cidade- STM/ reprodução - arquivo

ET de Varginha foi história de ‘ficção’, concluiu inquérito da Justiça sobre episódio há 30 anos

Investigação do STM diz que não há evidências de que surgimento de extraterrestre tenha realmente acontecido

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O surgimento de um suposto extraterrestre em Varginha, no sul de Minas Gerais, foi classificado como “ficção” pelo inquérito conduzido pelo STM (Superior Tribunal Militar) sobre o caso. A investigação foi finalizada em 1997, um ano após o incidente, e está publicada no site do tribunal. Nesta terça-feira (20), o caso completa 30 anos, tendo se tornado quase uma lenda urbana.

A história começou com o relato de três jovens que alegaram ter visto uma criatura marrom, com chifres e a pele viscosa. Ufólogos acreditaram se tratar de um ser de outro planeta. Junto à aparição, houve vários relatos de moradores sobre avistamentos de supostas naves espaciais e até mesmo a captura de extraterrestres. Os militares foram acusados de acobertar a história.

No inquérito, de 348 páginas, o STM afirma que o caso foi obra de “enganos, interpretações equivocadas e boatos” e que não foi achado nenhum indício de veracidade.

“Diante de uma evidência de tamanha relevância, deve-se admitir — até que se prove o contrário —, que toda a base de argumentação dos autores, que eventualmente lhes pudesse dar um cunho científico às pesquisas, seja tendenciosa, e que, assim sendo, não tenha havido nenhuma criatura extra-terrestre de que se pudesse fazer registro. Não tendo havido a criatura — pela relação de causa e efeito, ao cessar a causa, cessa também o efeito —, também não se pode crer que tenha havido a captura, ou mesmo o transporte citados pelos autores, o que confere à obra o cunho de ficção”, diz o documento.

Mapa que mostra onde as supostas aparições teriam acontecido – STM/ reprodução – arquivo

Veja quais eram os argumentos sobre a aparição do ET

• Avistamento das jovens: em 20 de janeiro de 1996, as irmãs Liliane e Valquíria Silva, junto à amiga Kátia Andrade Xavier, relataram ter visto uma criatura estranha agachada em um terreno baldio. A descrição detalhada incluía pele marrom-escura e viscosa, olhos grandes e vermelhos, e três protuberâncias na cabeça.

• Captura pelos Bombeiros e Exército: segundo ufólogos, houve uma captura inicial no mesmo dia, feita pelo Corpo de Bombeiros sob supervisão de militares da ESA (Escola de Sargentos das Armas). A criatura teria sido imobilizada com uma rede, colocada em uma caixa de madeira e transportada em um caminhão do Exército.

• Movimentação em hospitais: relatos de funcionários indicaram uma movimentação anormal e sigilosa nos hospitais Regional e Humanitas. Testemunhas afirmaram que uma ala do Hospital Regional foi interditada para o atendimento de uma criatura e que o diretor do hospital teria ordenado silêncio absoluto aos funcionários sobre o “treinamento” ocorrido.

• Testemunhos militares anônimos: informantes dentro das Forças Armadas relataram aos pesquisadores que participaram de operações de transporte de “cargas misteriosas” em comboios militares. Um oficial teria confirmado que uma criatura morta foi levada para a ESA e, posteriormente, para a Unicamp (Universidade de Campinas) para necropsia.

• Avistamentos de OVNIs: o casal Eurico e Oralina relatou ter visto, na madrugada de 20 de janeiro, um objeto cinza em formato de submarino, do tamanho de um micro-ônibus, que sobrevoava o pasto lentamente e soltava uma fumaça branca.

• A morte do soldado Marco Eli Cherese: o soldado Cherese, que supostamente teria participado da captura de uma das criaturas com as mãos desprotegidas, morreu pouco tempo depois devido a uma infecção generalizada “estranha”, o que foi interpretado por ufólogos como contaminação biológica por contato com o ser.

• Novas aparições: meses depois, em abril de 1996, outra testemunha, Terezinha Gallo Clepf, afirmou ter visto uma criatura idêntica à descrita pelas jovens no restaurante do Zoológico de Varginha.

Relatos constam no livro ‘Incidente em Varginha’ do ufólogo Vitorino Pacaccini – STM/ reprodução – arquivo

Veja as principais conclusões

 Identificação humana da “criatura”: de acordo com a investigação, o que as meninas viram, na verdade, era um homem com transtornos mentais. O homem já era conhecido na cidade e costumava perambular pelas ruas e permanecer agachado em diversos locais.

Segundo o inquérito, meninas teriam visto homem agachado – STM/ reprodução – arquivo

• Manutenção de viaturas: a presença de caminhões do Exército em Varginha, apontada por moradores como evidência de que militares estavam envolvidos, é explicada por provas documentais de que os deslocamentos eram de rotina e previstos no Plano de Manutenção das Viaturas. Os caminhões passaram por serviços de alinhamento e balanceamento em uma concessionária da cidade.

• Depoimentos oficiais: todos os militares citados nas publicações ufológicas foram ouvidos formalmente e negaram qualquer envolvimento em operações de captura ou transporte de seres extraterrestres.

• Não houve registro de emergência: militares do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Varginha afirmaram que não houve qualquer chamado ou registro de ocorrência relacionado à captura de animais estranhos ou criaturas no dia 20 de janeiro.

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