Um dos casos mais emblemáticos registrados nos últimos anos em Rondonópolis completa cinco anos sem uma solução definitiva. O assassinato da ex-diretora do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear), Terezinha Souza Silva, ocorrido em janeiro de 2021, segue envolto em mistério, especialmente quanto à identificação do mandante e do executor do crime que chocou a cidade e o estado de Mato Grosso.
Foi na manhã do dia 15 de janeiro, por volta das 7 horas, que Terezinha foi assassinada em plena luz do dia, em um dos cruzamentos mais movimentados do centro da cidade, na esquina da Rua Otávio Pitaluga com a Avenida Dom Wunibaldo, no coração de Rondonópolis. A ex-diretora estava em uma caminhonete Ford Ranger quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram diversos disparos.
Terezinha foi atingida fatalmente. O motorista do veículo também foi baleado, mas sobreviveu ao atentado. A ação rápida e violenta, em uma área central e de grande circulação, causou forte comoção e reforçou a sensação de insegurança à época.
Até o momento, apenas um envolvido foi condenado. Trata-se de Edvan de Souza Santos, sentenciado a 25 anos e seis meses de prisão por participação no assassinato. À época do crime, Edvan atuava como policial militar.

O réu foi indiciado no mesmo ano, apontado pela polícia como responsável por conduzir a motocicleta utilizada no crime. De acordo com o inquérito, a moto — uma Honda CB 300 vermelha — foi encontrada abandonada às margens da BR-364, no município de Pedra Preta, dias após o assassinato.
Edvan foi preso em 26 de janeiro de 2022, durante a Operação Letífero, deflagrada pela Delegacia de Polícia Civil de Pontes e Lacerda, que investigava outros cinco homicídios. No momento da prisão, ele estava lotado no Batalhão Ambiental da Polícia Militar de Rondonópolis, onde foi detido.
Apesar da condenação, o caso segue inconcluso. Até hoje, a polícia não conseguiu identificar o mandante nem o executor dos disparos que mataram Terezinha. As investigações continuam em andamento, mas sem avanços concretos divulgados oficialmente.
Quem era Terezinha
Terezinha Souza Silva era considerada uma peça estratégica no tabuleiro político local. Ela integrava o chamado Grupo dos Kamikazes, formado por apoiadores mais próximos e combativos do ex-prefeito Zé Carlos do Pátio.
Ao lado do ex-assessor Celson Antônio de Carvalho, falecido em 2020 em decorrência da Covid-19, Terezinha figurava entre os principais estrategistas da gestão. Enquanto Celson atuava mais diretamente na articulação política, cabia a Terezinha a condução administrativa e a execução dos processos.
De personalidade forte, ela era uma das poucas lideranças cujas opiniões eram ouvidas diretamente pelo ex-prefeito, tendo liberdade para alertá-lo sobre decisões consideradas equivocadas ou arriscadas.
Terezinha comandou o Sanear durante a primeira e a segunda gestão de Zé Carlos do Pátio, período em que implantou uma política administrativa considerada austera, contribuindo para o equilíbrio financeiro e a reorganização interna da autarquia.





