Em um período marcado pela velocidade da informação digital e pelo risco do apagamento histórico, a historiadora e doutoranda em Estudos de Cultura Contemporânea (UFMT) – Lidiane Álvares Mendes apresenta uma obra que funciona como um manifesto de preservação. O livro “De Mutum a Dom Aquino: memórias de um tempo ido”, publicado pela Editora Fênix, é um mergulho profundo nas raízes de Mato Grosso, resgatando a trajetória de um povo.
A narrativa de Lidiane não se limita ao registro biográfico; ela se expande para o campo da memória coletiva. Através de uma escrita que equilibra o rigor do fato histórico com a sensibilidade da crônica, a autora percorre o território que vai do antigo Mutum à consolidação de Dom Aquino. É um convite ao leitor para caminhar por ruas de chão batido e reconhecer que a história de uma cidade é, antes de tudo, a soma das narrativas de sua gente.
No prefácio da obra, a escritora Silviane Ramos traça uma analogia botânica para descrever o nascimento deste projeto literário. Segundo Ramos, há livros que nascem como sementes invisíveis, germinando na fala dos mais velhos até florescerem em páginas que fazem reviver o passado. “Este livro é assim: uma árvore que se abre diante de nós, com raízes profundas em Mutum e galhos que se erguem em Dom Aquino, sustentando o peso da história e a leveza da poesia da vida”, destaca Silviane. Para a prefaciadora, o trabalho de Lidiane é um ato de resistência contra a modernidade que ameaça soterrar os rastros de quem veio antes.
A obra percorre os símbolos que pulsam como o coração coletivo de Dom Aquino: o som do sino da Igreja Matriz, o murmúrio do Rio São Lourenço, os bailes no “Clubão” e a imponência do Morro do Índio. Essa tapeçaria de afetos é reforçada no posfácio assinado por Gilda Portella, que descreve o livro como uma travessia contínua. Portella observa que o resgate de Lidiane transforma a geografia em emoção: “Dom Aquino não é mero ponto no mapa: é raiz que sustenta, vento que sopra o devir e extensão da alma de quem chegou, ficou, partiu ou ainda pertencerá”.
Mais do que um livro de memórias, a publicação é um chamado para que cada cidadão reconheça a importância de nomear e registrar sua própria história. Conforme pontua Gilda Portella em suas considerações finais, a memória aqui não é ruína, mas fonte viva: “Recordar não é trancar o tempo, mas abrir-lhe janelas — e voltar a caminhar, passo a passo, pelas ruas de terra, brisas e afetos”.
O livro já está disponível para o público em formato e-book e pode ser baixado diretamente através do site da Editora Fênix, consolidando-se como um item indispensável para bibliotecas, pesquisadores e amantes da cultura mato-grossense.
*Gilda Portella é sacerdotisa de umbanda, multiartista e doutoranda PPGECCO/UFMT.





