Um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil começou 2026 com um cenário atípico: a famosa praia do litoral de Pernambuco apresentou um fluxo de visitantes muito abaixo do esperado para a alta temporada, com trechos praticamente vazios e barracas com poucos clientes desde o primeiro dia do ano.
Efeito do episódio de violência
O fenômeno ocorre poucos dias após um grave episódio de agressão a um casal de turistas de Mato Grosso, registrado no dia 27 de dezembro de 2025 na faixa de areia de Porto de Galinhas. Segundo as vítimas, Johnny Andrade Barbosa e Cleiton Zanatta, o ataque ocorreu após uma discussão com barraqueiros sobre o valor cobrado pelo uso de cadeiras e guarda-sóis, que teria sido alterado sem aviso prévio.
O caso ganhou ampla repercussão nacional e provocou reações oficiais de autoridades. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), classificou o episódio como um “crime grave” e informou que ao menos 14 pessoas envolvidas foram identificadas e serão indiciadas em inquérito conduzido pela Polícia Civil.
Medidas administrativas e repercussão
Em resposta ao caso, a Prefeitura de Ipojuca, município onde Porto de Galinhas está localizada, anunciou uma série de medidas para tentar recuperar a confiança dos turistas e reorganizar a orla:
- Suspensão temporária das atividades da barraca de praia onde a agressão ocorreu, com afastamento dos funcionários envolvidos até a conclusão das investigações.
- Publicação de novo decreto que proíbe a exigência de consumação mínima, taxas ou venda casada nas barracas e estabelecimentos à beira-mar, sob pena de cassação de concessões.
- Reforço da fiscalização por parte da Guarda Municipal e da Secretaria Municipal de Turismo, com foco em coibir práticas abusivas e proteger os direitos dos consumidores.
O prefeito Carlos Santana afirmou que o município não tolera abusos e quer garantir um ambiente seguro e acolhedor para moradores e visitantes.
Impacto no turismo local
Guardiões do setor turístico, como guias e proprietários de barracas, relataram que a movimentação está significativamente menor que o normal para o período de Réveillon e início de janeiro, época tradicionalmente de alta ocupação. A redução de turistas tem causado preocupação entre trabalhadores que dependem diretamente do movimento diário da orla para sua renda.
Versões e controvérsias
O casal de turistas agredido afirmou que houve motivação homofóbica por trás das agressões, além da disputa comercial pelo valor da locação de cadeiras. Já os barraqueiros envolvidos publicaram vídeos negando essa motivação e alegando versões distintas sobre a dinâmica da discussão.
Em pronunciamento nas redes sociais, o casal também destacou que o episódio não representa o povo pernambucano em sua totalidade, e manifestou gratidão pelo apoio recebido.





