Governo Lula eleva impostos 27 vezes desde o início do mandato; carga tributária atinge patamar histórico

Picture of nilmaik@hotmail.com

nilmaik@hotmail.com

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governo Lula eleva impostos 27 vezes desde o início do mandato; carga tributária atinge patamar histórico

Desde janeiro de 2023, o governo federal adotou ao menos 27 medidas que elevaram impostos ou ampliaram a base de arrecadação, segundo levantamentos da imprensa com base em dados oficiais e propostas do Executivo.

Compartilhe:

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, desde que assumiu a Presidência da República em janeiro de 2023, pelo menos 27 medidas que resultaram em aumento de impostos ou ampliação de sua incidência, segundo levantamentos de veículos de imprensa e análises econômicas baseadas em dados oficiais e projetos do Executivo.

De acordo com o levantamento, as medidas incluem elevações de alíquotas, criação de novas bases de incidência de tributos, alterações em benefícios fiscais — muitas vezes revertendo incentivos criados em gestões anteriores — e ajustes em contribuições federais como PIS/Cofins e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

O que está por trás dos 27 aumentos

A série de medidas de arrecadação foi justificada pelo governo como necessária para equilibrar as contas públicas e financiar programas sociais e investimentos em políticas públicas. Entre os argumentos apresentados pelo Planalto estão:

  • A necessidade de reduzir déficits fiscais e conter o crescimento da dívida pública;
  • O financiamento de programas de transferência de renda e políticas de inclusão social;
  • Compensar reduções de receita decorrentes de mudanças na economia global e doméstica.

Segundo especialistas consultados por veículos como Poder360, a elevação de impostos ocorreu em diferentes formas, incluindo revogação de benefícios fiscais e aumento de tributos já existentes em novos setores da economia, gerando um impacto ampliado sobre empresários e consumidores.

Impacto sobre a carga tributária

O Brasil tem registrado um avanço da carga tributária como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Dados oficiais mostram que a carga tributária do país subiu de cerca de 31,2% do PIB em 2022 para 32,3% em 2024, segundo acompanhamento de instituições econômicas.

Esse movimento vem acompanhado de um contexto desafiador nas contas públicas: mesmo com recordes de arrecadação, o país tem registrado déficits elevados e crescimento da dívida em relação ao PIB, pressionando a necessidade de novas fontes de receita.

Medidas emblemáticas e recentes debates

Entre as medidas mais debatidas recentemente está a tentativa do governo de aprovar uma medida provisória para elevar o IOF em vários segmentos financeiros, que acabou sendo derrubada pelo Congresso Nacional em junho de 2025, caracterizada por aliados e opositores como uma derrota para o governo na agenda tributária.

Outra frente importante foi a reforma do Imposto de Renda, que ampliou a faixa de isenção mensal para até R$ 5.000, beneficando milhões de contribuintes de menor renda, ao mesmo tempo em que introduziu mecanismos de taxação progressiva sobre rendimentos muito altos — uma estratégia do governo para reduzir a desigualdade e compensar a perda de receita com a isenção ampliada.

Segundo ministros do governo, essa reforma é uma das mais significativas dos últimos anos e atende a promessas de campanha, mesmo que exija compensações fiscais.

Posições divergentes

Críticos da política fiscal do governo argumentam que o aumento de impostos pode reduzir a competitividade do setor produtivo e o poder de compra dos consumidores, pressionando a economia em um momento de crescimento ainda moderado. Já apoiadores afirmam que as medidas são necessárias para corrigir distorções tributárias e financiar políticas sociais sem desequilibrar ainda mais as contas públicas.

Perspectivas para 2026 e além

Com a economia global em lento crescimento e desafios fiscais persistentes, o debate sobre tributação continua no centro da agenda política brasileira. Projetos em tramitação ainda podem introduzir novos ajustes ou revisões em tributos, enquanto a reforma tributária mais ampla ainda é cobrada por diversos setores como essencial para maior eficiência e justiça fiscal.

📊 Tabela: Aumentos de Impostos no Governo Lula (2023–2025)

(Medidas consideradas que aumentaram tributos, ampliaram base de incidência ou revogaram benefícios fiscais que resultaram em aumento de arrecadação) JC+1

AnoMedida / TributoDescrição
20231. PIS/Cofins sobre combustíveisReoneração parcial da gasolina e do etanol.
2. Imposto sobre petróleo cruImposto temporário sobre exportação.
3. Créditos tributáriosLimites para compensação de créditos tributários.
4. Fundos offshoreIR de 15% sobre rendimentos.
5. Fundos exclusivosIR de 15% sobre rendimentos.
6. IPI – armas e muniçõesAumento de alíquotas (29–55% para armas).
7. Limitação JCPRestrição na base de cálculo de Juros sobre Capital Próprio.
8. CARF – voto de desempateRestabeleceu voto de desempate, elevando arrecadação.
9. Base de cálculo PIS/CofinsRetirada de créditos de ICMS.
10. Importação – carros elétricos e híbridosCronograma de aumento de imposto de importação.
11. Importação de painéis solaresAumento de imposto de importação.
202412. PIS/Cofins combustíveis (integral)Retomada da cobrança integral do PIS/Cofins.
13. Fim de isenções fiscalIrpj e CSLL deixam de ter benefícios fiscais.
14. “Taxa das blusinhas”Tributação de 20% sobre compras internacionais > US$ 50.
15. PIS/Cofins – STFSTF reverteu redução de alíquotas.
16. Tributação mínima sobre multinacionais15% sobre lucro (a partir de 2026).
17. Regulação de apostas (“bets”)Outorga + tributos sobre faturamento/lucro.
18. Aço e ferroAumento no imposto de importação.
19. Reoneração da folhaRetorno gradual da contribuição para 17 setores.
202520. Fim do Programa PerseEncerramento de benefício fiscal.
21. IOF – cartões internacionaisAumento de 3,38% para 3,5%.
22. IOF – câmbioAumento de 1,1% para 3,5% nas compras de papel moeda.
23. IOF – crédito empresasAumento da alíquota diária + taxa fixa.
24. IOF – seguro de vida5% sobre aportes mensais acima de R$ 300 mil.
25. IOF – FIDCInstituição de alíquota de 0,38% sobre cotas.
26. IOF – cooperativas de créditoTributação semelhante a outras empresas.
Previsto/202627. Reforma do Imposto de Renda

📌 Observações Importantes

  • Esta lista foi consolidada com base em levantamentos da imprensa e dados oficiais publicados sobre as medidas tributárias desde 2023.
  • Algumas medidas, especialmente relativas ao IOF e propostas legislativas, sofreram alterações ou rejeições no Congresso (como a MP 1.303 do IOF que caducou).
  • A isenção ampliada do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 entrou em discussão e foi sancionada no fim de 2025, com impactos planejados para 2026.

Deixe um comentário

[gs-fb-comments]

Veja Também