Entre ficção e realidade: Miguel Santos e os papéis que revelam o Brasil

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Mike Alves

Entre ficção e realidade: Miguel Santos e os papéis que revelam o Brasil

Personagens intensos em produções como Os Donos do Jogo e Salve a Favela aproximam o ator de narrativas que refletem a tensão e a complexidade do país.

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Nem todo papel é só atuação. Em produções que mergulham na violência urbana e nas desigualdades do país, é preciso ir além da técnica. Nos últimos anos, Miguel Santos tem se destacado justamente nesse território, o das narrativas que expõem o Brasil em seus contrastes mais duros. Em personagens que oscilam entre a lei e o descontrole, ele imprime uma força que parece surgir da própria rua, aproximando ficção e realidade sem recorrer a exageros.                    

Trabalhos  como  Os  Donos  do  Jogo,  onde  vive  o Tenente Magno, e o videoclipe “Salve a Favela”, premiado com o Leão de Prata no Cannes Lions na França, consolidam essa presença. Em ambos, Miguel dá forma a figuras que, embora ficcionais, nascem de realidades reconhecíveis: ambientes afetados por disputas de poder, abusos de autoridade e ciclos de violência que atravessam o país. Na série da Netflix, sua cena ultrapassou mais de 1,2 milhão de visualizações, repercutindo em páginas especializadas pela intensidade da interpretação.

Esse compromisso aparece também no conjunto de sua carreira. Ao longo dos anos, Miguel navegou por produções que exploram os bastidores das forças de segurança e do sistema institucional brasileiro, interpretando agentes federais (Impuros, O Mecanismo), policiais civis (A Divisão), personagens vinculados ao narcotráfico (1 Contra Todos) e profissionais da saúde lidando com urgências sociais (Sob Pressão). No cinema, participou dos longas metragens, Ricos de Amor e Tudo por um Pop Star.   

Tenente Magno – Os Donos do Jogo

No videoclipe dirigido pela KondZilla Records e MainStreet Records, ele interpreta Carvalho, um policial que simboliza a brutalidade vivida em periferias brasileiras. O projeto, baseado em fatos reais, combina música, narrativa e denúncia. Para Miguel, o papel exigiu um mergulho emocional profundo e cuidado na representação.“Foi um papel intenso e difícil, mas necessário. Essas vidas existem”, diz.

Nos trabalhos mais recentes, essa maturidade    aparece ainda mais evidente. Em A Vida de Cada Um, exibido no Festival do Rio em 2025, onde interpreta o sargento Tonetto, personagem que vive o dilema entre o bem e mal da própria corporação. Na Netflix, integrou Pedaço de Mim, e estará na segunda temporada de Cidade de Deus – A Luta Não Para, da HBO Max, produção que revisita a periferia a partir de novas perspectivas com estréia prevista para junho de 2026.

Miguel cresceu no Rio de Janeiro e encontrou nas revistas em quadrinhos seu primeiro contato com narrativas visuais. Filho de mãe solo, perdeu-a precocemente aos nove meses vitimada por um mal súbito e não conheceu seu pai biológico, sendo criado por uma tia que trabalhava em um salão de beleza na zona sul do RJ, como cabeleireira e no início da sua infância, ele ficava sozinho em casa, e nesse período aprendeu a conviver com o silêncio, onde lia muitas revistinhas em quadrinhos. “Eu lia os “gibis” e passava bastante tempo  imaginando cada personagem, desenvolvendo a história em minha mente, criando em silêncio, um roteiro do que ainda não era dito”, conta.

Essa sensibilidade, somada à disciplina que desenvolveu ao longo da vida, sustenta seu método de trabalho. Ele pesquisa, conversa com profissionais reais das áreas que interpreta e evita estereótipos. “O Brasil é complexo. Ninguém é só uma coisa. Levo isso para cada cena”, afirma.

A cada novo personagem, ele amplia não apenas sua trajetória, mas a maneira como o público enxerga histórias que raramente ganham profundidade na ficção. Com intensidade e escuta, transforma cada cena em uma oportunidade de revelar o que muitas vezes permanece silenciado.

Acompanhe seus próximos passos no Instagram @Miguelsanths ou em seu perfil no Elenco Digital.

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