Três em cada dez norte-americanos consultam astrologia, tarô ou videntes pelo menos uma vez por ano. O dado faz parte de levantamento do Pew Research Center divulgado este ano, que ouviu 9.593 adultos entre 21 e 27 de outubro de 2024. A margem de erro é de 1,3 ponto percentual. Desse total, 14% fazem consultas mensalmente e 6% semanalmente.
A crença na influência dos astros sobre a vida das pessoas se mantém estável ao longo do tempo. Em 2017, quando o Pew Research Center fez a mesma pergunta, 29% dos americanos manifestaram essa crença. Hoje são 27%.
Pesquisas da Gallup, realizadas entre 1990 e 2005, já encontravam percentuais entre 23% e 28%, o que demonstra a consistência desse comportamento através dos anos.
O fenômeno não se restringe aos Estados Unidos. No Brasil, o setor esotérico opera sem dados oficiais consolidados, segundo levantamento da Agência Sebrae de 2023. A editora Pavão Branco, especializada em cartas de tarô, faturou R$ 750 mil em 2022. Analistas do Sebrae identificam que a pandemia de Covid-19 acelerou um crescimento que já estava em curso antes de 2020.
Mulheres jovens e comunidade LGBTQIAPN+ lideram adesão
Enquanto 35% das mulheres acreditam em astrologia, apenas 18% dos homens manifestam a mesma crença, segundo o levantamento. Entre mulheres com menos de 50 anos, o percentual sobe para 43%. Fazer mapa astral é uma das práticas dentro do espectro da astrologia consultada por esse público.
A comunidade LGBTQIAPN+ apresenta os índices mais expressivos de envolvimento. Segundo a pesquisa, 54% dos adultos desse grupo consultam horóscopos anualmente, cerca de duas vezes a média nacional de 28%. Desses, 43% afirmam acreditar efetivamente na prática.
A faixa etária também foi considerada. Quase um quarto dos jovens entre 18 e 29 anos consulta tarô ao menos uma vez por ano. Entre pessoas de 50 a 64 anos, o percentual cai para 6%. Acima dos 65 anos, apenas 3% fazem consultas.
No caso de videntes, 14% dos jovens recorrem a consultas anuais, enquanto apenas 2% dos americanos acima de 65 anos fazem o mesmo. A diferença etária se repete em padrões semelhantes em todas as práticas analisadas.
A análise ainda se estendeu em recortes por renda e ideologia política: adultos de famílias com menor renda têm probabilidade duas vezes maior de acreditar em astrologia (37%) quando comparados aos de renda mais alta (16%). Conservadores demonstram menor propensão à crença do que liberais e moderados.
Mercado projeta crescimento
A norte-americana CBS News reporta que a astrologia se consolidou como indústria de, aproximadamente, US$ 3 bilhões nos Estados Unidos. O mapa astral infantil online é um dos nichos dentro da projeção de crescimento que pode triplicar o valor do mercado nos próximos cinco anos, segundo a Allied Market Research. Relatórios do setor projetam o mercado global em US$ 22 bilhões até 2031.
Já a consultoria IBISWorld calcula que o mercado místico norte-americano movimenta US$ 2,2 bilhões anuais, valor que inclui consultas presenciais, produtos e serviços digitais. O segmento específico de cartas de tarô representa USD 600 milhões do mercado global em 2024, segundo a Cognitive Market Research. A projeção indica que esse nicho pode atingir USD 1,2 bilhão até 2033, com crescimento anual de 8,5%.
A astroconselheira Danielle Polgar, entrevistada pela CBS News nos Estados Unidos, observa que existe “uma curiosidade coletiva sobre astrologia” e que a prática “pode realmente facilitar que as pessoas sintam que fazem parte de algo maior do que elas mesmas”. A busca por produtos como curso de astrologia e de leitura de cartas de tarô é reflexo dessa curiosidade.
Maioria encara consultas como entretenimento
Embora o uso seja disseminado, as motivações variam. A maior parte dos praticantes encara as consultas como entretenimento: 20% dos adultos americanos participam de pelo menos uma dessas atividades “apenas por diversão”, enquanto 10% dizem fazê-lo porque “acreditam que as práticas oferecem visões úteis”, segundo o Pew Research Center.
Apenas 1% dos americanos declara confiar muito nos conselhos obtidos através dessas práticas ao tomar decisões relevantes na vida. Outros 5% admitem confiar um pouco. Na comunidade LGBTQIAPN+, esse percentual sobe para 17%.
Em relação a grupos religiosos, católicos hispânicos (39%), protestantes negros (33%) e adultos que dizem ter religião, mas não praticam (35%) aparecem entre os mais propensos a consultar astrologia anualmente. Evangélicos brancos (17%) e ateus (17%) estão entre os que menos consultam.





