Compra de ingressos on-line se populariza

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Mike Alves

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Compra de ingressos on-line se populariza

Tecnologia, conveniência e personalização impulsionam o mercado digital de ingressos

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O mercado global de ingressos on-line para eventos deve movimentar US$ 101,94 bilhões até 2029, segundo estimativas da Mordor Intelligence. O setor foi avaliado em US$ 81,10 bilhões, e a projeção é que continue crescendo a uma taxa anual composta de 4,68% durante o período.

De acordo com a consultoria, a popularidade da bilhetagem digital acompanha a “proliferação de smartphones” e o desejo dos consumidores por conveniência. A possibilidade de escolher o assento pelo celular, efetuar o pagamento de forma segura e receber o ingresso diretamente na tela do aparelho tem atraído principalmente a geração Millennial, que prioriza praticidade.


Esse avanço pode se intensificar nos próximos anos com o aumento do uso de dispositivos móveis. Até 2028, o estudo prevê que o número de assinaturas de smartphones chegará a 9,2 bilhões em todo o mundo. Só na América Latina, a base de usuários de internet móvel 5G saltou de 4,8 milhões em 2021 para mais de 19 milhões em 2022.

Além disso, muitos eventos já passaram a adotar m-tickets e e-tickets, que reduzem o desperdício de papel e podem ser validados por meio de QR Codes. Paralelamente, programas de fidelidade oferecidos nas próprias plataformas ajudam a manter os usuários ativos por mais tempo, segundo a Mordor Intelligence.

A pesquisa destaca, ainda, que o número de vendedores de ingressos on-line tem aumentado. No Brasil, é possível ver esse movimento: dados divulgados pela empresa de investimentos Confrapar mostram que cerca de 330 empresas atuam no setor de venda de ingressos no país, comercializando de grandes festivais e shows a eventos de menor porte, como cursos, palestras, mentorias, cinema e teatro.

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) destaca o papel das plataformas digitais para viabilizar o consumo, não só por vender os ingressos remotamente, mas também por conter funções complementares como controle de acesso, carteiras digitais,  sistemas cashless e reconhecimento facial.

Na análise da CNDL, essa integração cria jornadas mais rápidas, seguras e personalizadas, alinhadas às expectativas de um público cada vez mais exigente. Em uma plataforma para vender infoprodutos, por exemplo, o organizador pode configurar o convite para que os participantes preencham um formulário de inscrição e, após a venda ser aprovada, recebam o ingresso digital para que possa ser baixado ou impresso.

Outra pesquisa, realizada pela For Insights Consultancy, confirma a projeção positiva de crescimento do setor e aponta a ascensão dos pagamentos digitais como um dos fatores responsáveis. A variedade de opções disponíveis nas plataformas de gestão de eventos, incluindo cartões de crédito e débito, carteiras digitais e criptomoedas, permite transações mais seguras e fluidas, estimulando a adoção da bilhetagem on-line.

O levantamento também aponta tendências que estão moldando esse mercado, como a integração de análise de dados e redes sociais para atrair e engajar clientes em potencial.  Com o apoio de Inteligência Artificial, os sites de eventos conseguem sugerir ingressos com base em preferências, histórico de compras e hábitos de navegação dos usuários, melhorando sua experiência e taxa de conversão.


A pandemia de Covid-19 também levou à rápida adoção de eventos virtuais, conforme a For Insights Consultancy, fazendo com que as plataformas ampliassem suas soluções para atender esse formato. Segundo a consultoria, modelos que misturam componentes virtuais e on-line, chamados de híbridos, estão se tornando mais populares.


Para o CEO e fundador da Digital Manager Guru, André Lado Cruz, a pandemia foi um acelerador histórico, que antecipou em poucos meses transformações que levariam décadas para acontecer. Na visão do executivo, o futuro do setor passa por experiências imersivas, personalizadas e híbridas.

“Quem continuar achando que dá para repetir fórmulas antigas vai ser engolido. Quem tiver coragem de unir tecnologia com a potência insubstituível do encontro humano, esse sim vai liderar”, avalia.

Segurança requer atenção

Com a popularização das vendas digitais, cresce também a necessidade de proteger consumidores contra golpes. A CNDL alerta para casos de falsificação de ingressos e clonagem de páginas de venda.

A confederação destaca a fala da especialista em cibersegurança Ana Vitória, que reforça que a digitalização do setor deve ser acompanhada de soluções focadas em segurança digital. “O consumidor deve sempre comprar em plataformas confiáveis e oficiais, verificar selos de segurança, usar meios de pagamentos protegidos e evitar intermediários não autorizados”, recomenda.

A pesquisa da For Insight Consultancy também aponta a segurança como um dos principais desafios do setor. Além da falsificação de ingressos, entre os pontos de atenção estão golpes de cambismo, acesso não autorizado a dados pessoais e ataques cibernéticos.

Segundo a consultoria, tecnologias como blockchain vêm sendo estudadas para ampliar a transparência e a rastreabilidade das transações de ingressos, reduzindo a vulnerabilidade para os consumidores.

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