A Guarda Costeira dos Estados Unidos concluiu que a implosão do submarino Titan, ocorrida em 2023 durante uma expedição aos destroços do Titanic, foi causada por falhas de projeto e pela negligência da empresa Oceangate em seguir protocolos básicos de segurança. Segundo o relatório final divulgado nesta terça-feira (5), o acidente poderia ter sido evitado e teve como causa principal a perda de integridade estrutural do casco do submersível, feito de fibra de carbono.
O Titan implodiu em 18 de junho de 2023, a cerca de 3.350 metros de profundidade no Oceano Atlântico. Havia cinco pessoas a bordo, incluindo o então diretor-executivo da Oceangate, Stockton Rush. Todos morreram instantaneamente após a implosão.
Impressive, but I'm still amazed that the Titan is not in a million pieces. pic.twitter.com/AVzfdUtT0B
— Carolina ❤️🔥 (@realCarola2Hope) September 18, 2024
O documento aponta que a Oceangate ignorou recomendações técnicas, omitiu inspeções e adotou práticas fora dos padrões estabelecidos para mergulhos em grandes profundidades. A empresa operava o Titan sem revisão independente, certificações adequadas ou manutenção preventiva, além de ter ignorado alertas de funcionários sobre riscos no casco do submarino.
O relatório detalha que o casco de fibra de carbono apresentava falhas desde a fabricação, como imperfeições no enrolamento, cura, espessura e colagem. A empresa também não avaliou a vida útil do material e manteve a operação mesmo após sinais de desgaste. Em vez de seguir procedimentos tradicionais, a companhia confiava em um sistema de monitoramento em tempo real que não era interpretado corretamente pelos técnicos, avaliou a Guarda Costeira.
Além disso, a investigação revelou uma cultura interna considerada tóxica. A Oceangate usava táticas de intimidação e ameaças de demissão para desencorajar questionamentos sobre a segurança das operações. Depoimentos mostram que o ambiente de trabalho era marcado por pressão para acelerar testes e expedições, mesmo diante de falhas técnicas. Segundo o ex-diretor de engenharia Tony Nissen, ele se recusou a pilotar o Titan por não confiar na equipe de operações. Já David Lochridge, ex-diretor de operações, afirmou ter sido demitido após levantar preocupações sobre a segurança da embarcação em 2018.
🚨#BREAKING: New haunting footage has been released by the U.S. Coast Guard, showing the tail cone of the Titan submersible after the fatal implosion that killed five people in June 2023. Their last messages from the doomed vessel were, ‘All good here… Dropped two [weights] pic.twitter.com/4Bbe6LmMrk
— R A W S A L E R T S (@rawsalerts) September 18, 2024
Em audiência pública conduzida em setembro de 2024, testemunhas relataram diversos incidentes anteriores à tragédia. Em uma das expedições, estalos foram ouvidos durante o mergulho. Em outra, o veículo girava em círculos e não conseguia se mover em linha reta. Dias antes da tragédia, o submarino apresentou instabilidade e lançou os passageiros de um lado para o outro. Em todos os casos, a empresa optou por seguir com os planos sem reparos adequados.
A Guarda Costeira afirmou que a Oceangate explorou brechas regulatórias e evitou fiscalizações ao registrar o submarino nas Bahamas e operar a partir do Canadá. Segundo um ex-funcionário, Rush chegou a declarar que, se necessário, “compraria um congressista” para evitar problemas com autoridades dos Estados Unidos.
O relatório também revelou que a Oceangate usava de forma estratégica sua associação com instituições como Nasa e Boeing para dar legitimidade ao projeto. No entanto, funcionários dessas organizações afirmaram que a participação foi limitada e que suas recomendações não foram seguidas.
Especialistas apontam que, apesar de leve e resistente, a fibra de carbono é suscetível à fadiga quando submetida a pressões extremas e repetidas. O material também sofre corrosão com água salgada, o que pode comprometer sua estrutura ao longo do tempo.
A diretora de administração da empresa, Amber Bay, negou que a Oceangate estivesse desesperada para concluir mergulhos, apesar da cobrança de US$ 250 mil por cliente. No entanto, admitiu que havia uma “urgência” para cumprir o prometido aos participantes das expedições.
Na conclusão, a Guarda Costeira afirma que a empresa operou o Titan de forma imprudente por anos, ignorando riscos conhecidos. O colapso da embarcação foi resultado direto dessas decisões, afirmou o documento de 335 páginas. Para as autoridades, a implosão poderia ter sido evitada se a Oceangate tivesse seguido padrões básicos de engenharia, certificação e segurança.





