Como desenvolver uma educação socioemocional eficaz na sua escola?

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Como desenvolver uma educação socioemocional eficaz na sua escola?

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Imagine a escola como uma comunidade viva, pulsante, onde cada pessoa carrega consigo histórias, desejos, angústias e sonhos. Desenvolver um pilar socioemocional eficaz nesse ambiente, significa menos sobre seguir fórmulas e mais sobre escutar com atenção e construir em parceria.

Neste artigo, você vai entender quais são os primeiros passos para desenvolver um  programa socioemocional com intencionalidade, escuta e participação de toda a comunidade escolar.

Um programa que começa pelas pessoas

Toda escola tem seus pilares visíveis: a grade curricular, os horários e conteúdos. Mas há também pilares invisíveis — tão fundamentais quanto — que sustentam o clima 

escolar, o bem-estar coletivo e o senso de pertencimento. E esses, quase sempre, nascem do cuidado com as relações.

Nesse cenário, os gestores não caminham sozinhos, pois tem os professores e colaboradores como parceiros essenciais. Por isso, antes de pensar nas ações com os alunos, talvez seja importante se perguntar: como está o clima na nossa equipe? Como temos cuidado de quem cuida?

“Antes de sermos profissionais ou alunos, somos humanos, né? Por isso, quando a escola se propõe a sentir, escutar e acolher, ela mostra o quanto é diferenciada. E isso impacta positivamente tanto a vida das crianças quanto a de quem trabalha ali todos os dias.” — Roberta, professora LIV.

Formação docente como ponto de partida

Uma dúvida comum entre os educadores é: como cuidar do outro se não há espaço para olhar para si? Pensando nisso, o Programa Socioemocional LIV desenvolveu o Percurso Pedagógico, com formações que não somente trazem conteúdos, mas que acolhem e escutam as necessidades da equipe escolar.

Essa formação é dividida em dois momentos: a Formação Geral Básica, com os conceitos e ferramentas do LIV, e a Formação Continuada, com temas como convivência, mediação de conflitos e educação antirracista. Tudo isso a partir da escuta ativa e da realidade de cada escola.

Mais do que capacitar, trata-se de reconhecer o professor como sujeito — que sente, erra, acerta e precisa de apoio. Um programa socioemocional eficaz pode começar assim: acolhendo quem está à frente da sala de aula

Criar espaços de cuidado na rotina desses profissionais deve ser uma prioridade. Para quem vive em constante entrega, permitir-se parar, sentir e refletir é tão necessário quanto preparar uma boa aula. Essa pausa consciente não é um desvio, mas parte essencial do percurso.

Repensar o autocuidado como parte do dia a dia do professor é entender que ninguém consegue ensinar bem estando sempre cansado. Cuidar de si não é desperdício de tempo — é uma forma de seguir forte e presente na missão de educar.

Como lembra Alexandre Coimbra — psicólogo, escritor e palestrante:


“O professor tem uma profissão de entrega, está o tempo inteiro preparando algo para os outros. Mas nós, humanos, não temos uma disposição energética inesgotável para

nos doar o tempo inteiro. Assim como a respiração precisa do movimento complementar de inspirar e expirar, também precisamos equilibrar os momentos de dar e receber.”

Com esse olhar atento às necessidades dos educadores, o LIV desenvolveu o projeto Cuidar de Quem Cuida — uma iniciativa que reconhece o educador como alguém que também precisa ser olhado com atenção, carinho e escuta. 

O projeto propõe um espaço de reflexão, acolhimento e cuidado ativo, voltado ao bem-estar dos profissionais da educação.

O Cuidar de Quem Cuida cria oportunidades para que educadores possam:

  • Nutrir o autoconhecimento e o cuidado de si;
  • Fortalecer as relações intra e interpessoais;
  • Descobrir novas formas de se inspirar e se reequilibrar emocional e profissionalmente.
  • Trocas significativas em grupos menores, conduzidos por consultores especializados, que estimulam a conexão e o compartilhamento de experiências reais.
  • Ferramentas para o dia a dia, com estratégias para lidar com o estresse, fortalecer as emoções e cultivar relações mais saudáveis.
  • Momentos de criatividade, com práticas teatrais, exercícios corporais e atividades artísticas que integram corpo, mente e emoção.

Ao propor essa escuta ativa e humanizada, o LIV reforça que cuidar de quem cuida é também uma forma de cuidar da educação. Quando o professor se sente respeitado, apoiado e fortalecido, sua atuação em sala de aula ganha ainda mais potência e presença. 

E os alunos?

Com uma equipe fortalecida, é possível olhar para os estudantes com ainda mais sensibilidade. Os alunos de hoje vivem em um mundo veloz, sobrecarregado de estímulos, com desafios emocionais cada vez mais complexos. Nesse cenário, pensar o socioemocional é também pensar em segurança, pertencimento e espaço de expressão.

Mas aqui vale um cuidado: trabalhar habilidades socioemocionais não é prometer felicidade plena. Não se trata de transformar todas as crianças em adultos calmos, seguros e resilientes. É, antes de tudo, oferecer ferramentas para cada um poder lidar com seus próprios sentimentos e relações, do seu jeito, no seu tempo.

E quando o assunto é polêmico?

Que tal um exemplo: a proibição do uso de celulares nas escolas. Certo ou errado? Talvez a pergunta mais produtiva não seja essa. Mas sim: quais impactos essa medida tem na vida emocional dos alunos? Como eles compreendem essa mudança? Há espaços na escola para dialogar sobre o uso responsável das tecnologias?

Temas como esse, longe de serem resolvidos com um sim ou não, podem ser portas de entrada para conversas significativas. Porque um  programa socioemocional eficaz não foge dos conflitos — ele os transforma em oportunidades de aprendizagem.

As famílias também devem fazer parte

As famílias dos estudantes também buscam apoio. Muitas vezes, querem conversar sobre sentimentos, mas não sabem como começar. Foi o que contou o ator Lázaro Ramos, pai de duas crianças, ao relatar como as atividades do LIV ajudaram a abrir esse canal em casa. 

O diálogo escola-família, quando feito com sensibilidade, pode criar uma linguagem comum, onde todos falam de um mesmo lugar. Michelle Kauffmann, professora e mãe, reforça que educar hoje exige estudo, escuta e disposição. “Nem a escola educa totalmente, nem a família. É uma parceria.”

E quando surgem os momentos difíceis?

Infelizmente, nos últimos anos, temos acompanhado episódios de violência nas escolas. Nessas horas, o impulso pode ser o de reagir rapidamente. Mas o primeiro passo, muitas vezes, é simplesmente ouvir. Escutar os medos, as dores, os silêncios.

Foi isso que o LIV propôs com as Rodas de Acolhimento e com a criação do e-book “S.O.S escolas: ferramentas de combate à violência“. A escuta, nesse contexto, não é passividade. É uma ação potente, capaz de abrir caminhos.

O caminho precisa ser coletivo

Cada escola tem seu próprio tempo, cultura e realidade. Por isso, um programa socioemocional não nasce pronto. Ele é construído coletivamente, escutando vozes diversas, enfrentando desafios reais e celebrando pequenas conquistas.

Mais do que seguir um manual, é preciso disposição para caminhar junto, para ajustar a rota, para perguntar sempre: isso faz sentido para nossa comunidade?

Talvez não exista uma receita pronta para criar um  programa socioemocional eficaz. Mas há ingredientes que sempre fazem bem: escuta, acolhimento, parceria e intenção. Com eles, já se tem um bom começo.

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