Sinésio nega “máfia dos médicos” e diz que ex-gestora perdeu a mão

Picture of Lucas Perrone

Lucas Perrone

Médico foi o décimo a depor em CEI da Santa Casa

Sinésio nega “máfia dos médicos” e diz que ex-gestora perdeu a mão

Compartilhe:

O médico Sinésio Alvarenga, ex-presidente do Conselho Administrativo da Santa Casa de Rondonópolis, foi o décimo depoente ouvido pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores, que apura a crise financeira enfrentada pela unidade hospitalar. Durante a oitiva, realizada hoje, Alvarenga negou categoricamente a existência de uma suposta “máfia de médicos” dentro do hospital, conforme havia sido alegado anteriormente pela ex-diretora da instituição, Bianca Talita Franco.

Segundo Sinésio, a fala de Bianca pode ter sido uma força de expressão. “Eu não vejo máfia. Máfia é quando se age à margem da lei, com meios ilícitos. Nunca vi isso dentro da Santa Casa. O que vejo lá são médicos que trabalham, que suportam atrasos enormes. Quando a Santa Casa dizia que estava com os pagamentos em dia, mesmo naquele período, era com 60 dias de atraso”, afirmou.

Sobre a ex-diretora, o médico reconheceu que ela chegou à Santa Casa por méritos e inicialmente conquistou espaço dentro da gestão hospitalar. No entanto, pontuou que Bianca enfrentava dificuldades de relacionamento interpessoal, o que teria contribuído para seu desgaste à frente da direção. “Ela era da minha confiança, mas, com o tempo, sugeri que ela deixasse o cargo por dificuldades nas relações pessoais”, relatou.

“Bianca perdeu a mão. Na gestão, é uma pessoa competente, boa, capaz, mas tinha dificuldade em conversar.Ela perdeu a mão, perdeu a credibilidade”, completou

Durante o depoimento, Sinésio também destacou que os atrasos nos repasses públicos e os valores defasados pagos por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram fatores determinantes para o agravamento da situação financeira da Santa Casa. Ele revelou que os valores pagos por leitos estão congelados desde 2017. “Chegamos a receber R$ 1.500 por leito. Na gestão do ex-governador Pedro Taques, esse valor caiu para R$ 1.300. O ideal seria algo em torno de R$ 2.500 por leito”, explicou.

Alvarenga ainda afirmou que o pagamento com atrasos gera um efeito em cascata na administração hospitalar. “Quando se recebe com atraso, paga-se com atraso. E pagar com atraso é pagar mais caro”, concluiu.

Ele demonstrou muita segurança no depoimento e foi o primeiro depoente ouvido pela CEI que foi sem um advogado.

Deixe um comentário

[gs-fb-comments]

Veja Também