O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), pode enfrentar, pela primeira vez em seu mandato, uma espécie de “prova dos nove” para identificar quais vereadores realmente integram sua base de apoio. O motivo é a possibilidade de a Câmara Municipal votar a “liquidação” da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder).
Embora ainda não tenha se manifestado publicamente sobre o tema, números apresentados desde o início da atual gestão indicam que a Coder tem gerado prejuízos milionários aos cofres públicos. Estimativas preliminares apontam que o montante das dívidas pode se aproximar dos R$ 500 milhões. Vale ressaltar que os números iniciais são de R$ 300 milhões de dividas auditadas e ainda há outras que estão sob análise e por isso, o valor pode chegar à casa do meio bilhão.
Para se ter dimensão do impacto, apesar de o município contar com um orçamento total superior a R$ 2 bilhões, o volume de recursos próprios disponíveis para investimento é de cerca de R$ 400 milhões.

Além disso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem recomendado providências urgentes em relação à companhia, incluindo a possibilidade de sua liquidação. O conselheiro Valter Albano chegou a declarar que o modelo da Coder é ultrapassado, tendo sido superado pelo próprio Estado de Mato Grosso ainda na década de 1990, durante a gestão do então governador Dante de Oliveira.
Entre as principais preocupações está o destino de aproximadamente 600 servidores da Coder, que podem perder seus empregos, caso a extinção da empresa se concretize.
Cenário na Câmara
A decisão agora recai sobre os 21 vereadores de Rondonópolis. Um levantamento feito pelo Primeira Hora aponta que ao menos quatro parlamentares devem votar contra a extinção da empresa, caso o projeto seja colocado em pauta.

Entre eles está Júnior Mendonça (PT), opositor declarado do prefeito Cláudio Ferreira. Também figuram na lista Gerson Moreira, o Investigador Gerson (MDB), que se define como independente, e as vereadoras Mariuva Valentim Chaves (MDB) e Vinícius Amoroso (PSB), que também sinalizam voto contrário à proposta.
No entanto, com execeção de Júnior, nenhum dos três declararam públicamente que são contra; em tese, podem ter uma posição, diferente do que apurado.
Pelos números, se o projeto fosse votado hoje, a medida seria aprovada com 16 votos favoráveis e quatro contrários, considerando que o presidente da Câmara, Paulo César Schuh, por regra, não vota, exceto em caso de empate. A proposta precisa de pelo menos 14 votos para ser aprovada.
Mas , não se pode descartar, a hipótese de apenas Júnior Mendonça, votar contra solitariamente.
Bastidores em ebulição
Apesar do cenário, aparentemente favorável ao Executivo, lideranças de partidos de esquerda trabalham nos bastidores para unificar posicionamentos e tentar barrar a iniciativa.
Entre os partidos que articulam uma possível posição conjunta estão o PSB — que, além de Vinícius Amoroso, conta com Kaza Grande e Beto do Amendoim, ambos atualmente alinhados à base do prefeito —, a Rede Sustentabilidade, com o vereador Wellington Pereira, também da base, e o PT, com o vereador Ary Campos, que se apresenta como independente.
A movimentação nos bastidores indica que, mesmo com vantagem numérica, o governo pode enfrentar resistência e terá de testar a fidelidade de sua base aliada diante de uma das pautas mais delicadas da atual legislatura.
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