O Ministério da Defesa de Israel confirmou no final de maio que realizou dezenas de interceptações usando tecnologia de defesa aérea a laser desde o início da guerra em Gaza. É o primeiro uso operacional desse tipo de sistema no mundo, segundo informações do governo israelense.
O sistema empregado não foi o Iron Beam (Feixe de Ferro), que ainda está em fase final de desenvolvimento e só deve entrar oficialmente em operação no fim de 2025.
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O Iron Beam é um sistema de defesa aérea com laser de alta energia desenvolvido por Israel. Ele é projetado para interceptar e destruir ameaças aéreas como foguetes, morteiros, drones e mísseis de curto alcance, atuando como um complemento ao sistema de defesa antimísseis conhecido como Domo de Ferro.
🇮🇱#URGENTE: El Ministerio de Defensa de #Israel firma un megaacuerdo por valor de más de 500 millones de dólares para defensas aéreas basadas en rayos láser.
— Santiago Evies אביעז 🇮🇱 (@EviesSantiago) October 28, 2024
Las empresas de defensa militar israelíes Rafael Advanced Defense Systems y Elbit Systems reforzarán la producción y se… pic.twitter.com/i1RcF1gAGG
Dessa vez, as interceptações foram feitas com um modelo provisório, de potência menor, entre 10 e 30 quilowatts, segundo fontes da indústria de defesa.
O uso da defesa a laser acontece em meio ao aumento das ameaças com drones, foguetes e mísseis de curto alcance, sobretudo do regime iraniano, que está em guerra com Israel desde a última sexta-feira (13).
O sistema funciona como complemento ao Domo de Ferro, que segue sendo a principal ferramenta de Israel para interceptar foguetes. Cada disparo do sistema de interceptação custa entre 50 e 100 mil dólares, enquanto a interceptação com laser tem custo significativamente menor.
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Como funciona a defesa à laser?
O feixe de energia atinge o alvo na velocidade da luz, o que permite uma reação praticamente imediata. Ele é alimentado por eletricidade, o que dispensa o uso de mísseis convencionais e reduz os custos operacionais.
O sistema é especialmente eficaz contra ameaças de curto alcance, como morteiros, pequenos foguetes e alguns tipos de drones.
Apesar dos avanços, especialistas alertam para limitações. O desempenho do laser cai em condições climáticas adversas, como chuva, neblina, poeira e fumaça. Além disso, sua potência atual exige que o alvo esteja a uma distância relativamente curta, de até oito quilômetros.
O Ministério da Defesa informou que as interceptações realizadas tiveram como alvo diferentes modelos de drones. Não foram revelados detalhes sobre os tipos específicos ou a quantidade exata abatida.
O desenvolvimento do Feixe de Ferro custou cerca de 2 bilhões de shekels (R$ 3 bilhões). A expectativa é que sua versão definitiva alcance 100 quilowatts de potência, suficiente para derrubar não apenas foguetes de curto alcance, mas também drones e mísseis de cruzeiro.
Outros países também desenvolvem projetos semelhantes. Os Estados Unidos testaram o sistema P-HEL para interceptação de drones. A China possui o Shen Nung Shield e o Irã trabalha em suas próprias versões. A Lockheed Martin lidera o desenvolvimento de um sistema com potência prevista de até 500 quilowatts, bem superior ao modelo israelense.
Israel também investe no desenvolvimento de uma versão aérea da defesa a laser. A ideia é instalar o equipamento em aviões, o que permitirá interceptações a distâncias maiores e reduzirá os efeitos das condições atmosféricas. Caso avance, essa tecnologia poderá ser usada até mesmo para derrubar mísseis balísticos fora do espaço aéreo israelense.
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