Cientista-chefe da Colossal admite que ‘lobo-terrível’ recriado é, na verdade, um lobo-cinzento com alterações genéticas

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Lobo-terrível atualmente, já com cinco meses. — Foto: Colossal Biosciences

Cientista-chefe da Colossal admite que ‘lobo-terrível’ recriado é, na verdade, um lobo-cinzento com alterações genéticas

Anúncio da empresa foi recebido com ceticismo pela comunidade científica. Agora, cientista-chefe da Colossal Biosciences, Beth Shapiro, admitiu, em entrevista recente ao New Scientist, que feito não pode ser considerado uma desextinção.

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A cientista-chefe da Colossal Biosciences, Beth Shapiro, admitiu, em entrevista recente ao New Scientist, que os animais apresentados pela empresa como “lobos-terríveis” são, na realidade, lobos-cinzentos com cerca de 20 modificações genéticas. Ou seja, não se trata da desextinção real da espécie, que desapareceu há cerca de 10 mil anos.

A declaração representa uma mudança no discurso da Colossal. Em abril, a empresa afirmou ter feito a “primeira desextinção bem-sucedida do mundo” com o nascimento de três animais chamados Romulus, Remus e Khaleesi.

Em reportagem sobre o anúncio, o g1 mostrou que comunidade científica reagiu desconfiança: ‘Exageraram ou mentiram’, disse um cientista sobre desextinção do lobo-terrível.

Na entrevista ao “New Scientist”, Shapiro afirmou:

“Não é possível trazer de volta algo idêntico a uma espécie que existia. Nossos animais são lobos-cinzentos com 20 alterações genéticas clonadas. Dissemos isso desde o começo. Colocaram o nome de ‘lobos terríveis’ de forma coloquial, e isso irritou as pessoas.”

A Colossal, no entanto, sustentou até recentemente a escolha de chamar os animais pelo nome popular. “Mantemos nossa decisão de nos referirmos a Romulus, Remus e Khaleesi, de forma coloquial, como lobos terríveis”, declarou a empresa em nota anterior publicada na rede social X.

Especialistas ouvidos pelo New Scientist apontaram que o discurso recente da cientista-chefe destoa da estratégia de comunicação da empresa, que em comunicados oficiais tratou os animais como exemplares da espécie extinta. “Leio isso como uma declaração clara do que eles fizeram e não fizeram — e o que eles não fizeram foi trazer de volta um lobo terrível da extinção”, afirmou Richard Grenyer, da Universidade de Oxford.

Além disso, há incertezas sobre até que ponto os animais recriados se assemelham aos lobos terríveis originais. Pesquisadores como Claudio Sillero, também da Universidade de Oxford, lembram que há indícios de que os lobos terríveis tinham pelagem avermelhada, e não branca, como sugerido nos materiais de divulgação.

A polêmica reforça críticas recorrentes à ideia de que avanços em “desextinção” possam reduzir o apoio à conservação de espécies ameaçadas atualmente. Shapiro rebateu essa interpretação: “Agora, de repente, estão associando [a desextinção] à ideia de que não precisamos nos importar. Isso é terrível”, disse.

O debate sobre a fronteira entre biotecnologia e conservação segue aberto, com especialistas ponderando que, embora a Colossal esteja promovendo avanços significativos na engenharia genética, o feito não configura, tecnicamente, a reversão de uma extinção.

“É transformador, é ciência inovadora — mas não é desextinção”, resumiu Grenyer ao New Scientist.

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