A venda de 58% do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), avaliada em R$ 3,5 bilhões, tem provocado forte movimentação nos bastidores do sistema financeiro. A operação, atualmente sob análise do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), desperta atenção não apenas pela expressiva cifra envolvida, mas também pelas profundas mudanças que poderá gerar no setor bancário brasileiro.
Em paralelo à fase final do processo regulatório, crescem os ataques direcionados ao CEO do Master, Daniel Vorcaro. Publicações em blogs, redes sociais e veículos de comunicação tradicionais passaram a explorar aspectos pessoais da vida do executivo, com conteúdos frequentemente desprovidos de fundamentação técnica ou factual. Analistas do mercado veem essa ofensiva como uma tentativa de criar pressão externa em um momento crucial da aprovação da fusão.
Ofensiva ocorre em etapa decisiva da análise da fusão
A escalada dos ataques coincide com uma fase crítica de avaliação pelos órgãos reguladores. As denúncias e insinuações não se apoiam em irregularidades relacionadas à governança ou à saúde financeira do Master, mas evidenciam uma estratégia para fragilizar a imagem pública de Daniel Vorcaro. Isso evidencia que, mais do que uma disputa empresarial, o embate atinge dimensões políticas e estruturais dentro do sistema financeiro.
Se aprovada, a fusão entre BRB e Master poderá criar um novo polo de poder no setor, com forte atuação em crédito privado, soluções digitais e atendimento regional — áreas ainda pouco exploradas pelos grandes bancos tradicionais.
Fundamentos sólidos sustentam o Banco Master
Enquanto surgem tentativas de colocar em dúvida a operação, os dados financeiros do Master mostram um cenário positivo. Em 2024, o banco obteve lucro líquido superior a R$ 1 bilhão, com patrimônio líquido de R$ 4,74 bilhões, reforçado em janeiro de 2025 para R$ 6,8 bilhões após um novo aporte via Master Holding.
Sob a gestão de Daniel Vorcaro, o Banco Master também ampliou sua atuação com aquisições estratégicas, como o Banco Voiter, focado no agronegócio, e o Will Bank, que trouxe 6 milhões de novos clientes. Todas as incorporações anteriores foram aprovadas em processos regulatórios anteriores, sempre baseados em análises técnicas.
Grandes bancos reagem para preservar mercado
A possibilidade de um novo concorrente com um modelo mais ágil e híbrido — combinando atendimento digital e presencial conforme a necessidade — causa desconforto entre os grandes bancos, acostumados a um mercado concentrado e com estruturas mais rígidas. Especialistas apontam que a resistência observada não se limita a críticas públicas, mas inclui ações judiciais, pressões políticas e campanhas de desinformação.
Exemplo dessa tentativa de obstrução foi a ação popular movida pelo Sindicato dos Bancários de Brasília, que buscava barrar a operação sob alegação de risco ao patrimônio público. A Justiça, contudo, negou a liminar, permitindo o avanço da análise regular da fusão.
Impacto no mercado financeiro
Caso a fusão se concretize, BRB e Master devem manter suas marcas próprias, mas integrar operações em áreas estratégicas como crédito, câmbio, investimentos, seguros e tecnologia. A expectativa é criar sinergias que ofereçam competitividade real frente aos gigantes bancários, sem repetir modelos de negócios engessados.
Daniel Vorcaro, que deixará o cargo de CEO do Master para assumir a presidência do conselho do BRB Corporate, continuará influenciando a estratégia e a cultura da nova instituição, garantindo alinhamento na execução do projeto.
Disputa ultrapassa aspectos técnicos
A resistência ao avanço da fusão entre BRB e Master demonstra que a disputa vai além de questões regulatórias. A operação toca em interesses sensíveis de instituições que dominam o mercado e tem potencial para alterar significativamente a lógica bancária no Brasil.
Mais do que criar um novo banco de grande porte, a fusão simboliza a abertura de espaço para um modelo de mercado mais moderno, competitivo e acessível — cenário que explica a intensidade das resistências observadas.





