No início do mês de abril, a Revista Piauí publicou um material extenso sobre a gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O texto destacou exageros e inconsistências capitaneadas por Ednaldo Rodrigues à frente da instituição — como a economia em controles remotos e gelo para a recuperação de atletas, enquanto quadruplicava os salários dos presidentes das federações estaduais e bancava viagens luxuosas para convidados na Copa do Mundo de 2022.
Como reflexo, a confederação vem sendo bombardeada por torcedores e jornalistas, sendo obrigada a retroceder em medidas questionáveis e, principalmente, trabalha para proteger seu mandatário de cobranças e questionamentos.
CBF recua e mantém avaliações presenciais de arbitragem
A arbitragem dos campeonatos nacionais vem sendo duramente criticada mesmo com o suporte oferecido pelo árbitro de vídeo (VAR), com erros crassos já registrados mesmo na primeira divisão do Campeonato Brasileiro e árbitros suspensos nos primeiros jogos do Brasileirão 2025.
Ainda assim, a nova comissão de arbitragem da CBF — que assumiu o posto em fevereiro e tem o ex-árbitro Rodrigo Cintra como coordenador — anunciou o cancelamento das avaliações presenciais dos árbitros ocorridas a cada 15 dias. O processo, responsável por reunir os profissionais para testes físicos e técnicos, seria transformado em uma versão remota e mais simplificada para cortar gastos.
A pressão exercida pelas reportagens, ao menos nessa situação, já surtiram efeitos, com a entidade máxima do futebol brasileiro anunciando a retomada das avaliações poucos dias depois das primeiras matérias ganharem repercussão nacional.
“Bancada da bola” volta a ganhar força como aliada de Ednaldo Rodrigues
Já durante a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, comissão que atuou de maneira ostensiva durante o ano passado, notou-se a ação de um grupo de políticos na Câmara e no Senado Federal para impedir que Ednaldo Rodrigues prestasse depoimentos sobre os escândalos de manipulação ocorridos em competições nacionais.
Agora, o grupo composto — dentre outras lideranças apuradas pelo Estadão — por nomes como o ex-jogador Romário (Senador do PL), Jorge Kajuru (jornalista e Senador do PSB) e Orlando Silva (Deputado Federal do PC do B e ex-ministro do esporte), atuam nos bastidores tanto para amenizar a repercussão das denúncias.
Outro importante aliado do presidente da CBF em Brasília é Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sócio e fundado do IDP, Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa que atua como parceiro da confederação desde 2023 e recebeu 84% da arrecadação da CBF Academy — braço que oferece preparação para dirigentes, técnicos e demais integrantes de comissões técnicas. O percentual correspondeu a quase R$ 8 milhões em 2024.
Em 23, ano de início oficial da parceria, Ednaldo Rodrigues chegou a ser destituído do cargo de presidente da CBF por conta de uma ação movida pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro referente a irregularidades na eleição ocorrida na CBF em 2017.
Pagando mais de R$ 6 milhões para advogados que não estavam mais entre o quadro de juristas da instituição, o caso foi parar no STF e o julgamento caiu nas mãos de Gilmar Mendes. O caso, que se arrastou até o início de 2024, culminou na homologação do acordo para validar a ascensão de Rodrigues à presidência (ocorrida em 2022), com o ministro dando 3 dias para o tribunal carioca que havia dado decidido a favor do MP extinguir qualquer processo referente ao assunto.





