Espécie de sucuri grávida atropelada em rodovia de MT não ataca seres humanos e nem possui veneno; conheça

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Sucuri e filhotes morreram após atropelamento em estrada de MT — Foto: Ederson Negri Antonioli/Arquivo pessoal

Espécie de sucuri grávida atropelada em rodovia de MT não ataca seres humanos e nem possui veneno; conheça

Animal foi achado morto atropelado na MT-338 junto a dezenas de filhotes. A Sucuri-verde é comum em 20 estados do país e pode pesar mais de 130 quilos.

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Apesar de parecer assustadora e mundialmente conhecida como “Anaconda” por causa do cinema, a sucuri-verde (Eunectes murinus) não costuma atacar seres-humanos e nem é venenosa, segundo o biólogo especialista em serpentes, Henrique Abrahão.

O vídeo de uma serpente grávida da espécie chamou atenção nas redes sociais depois de ser encontrada morta e com cerca de 40 filhotes expelidos da barriga ao ser atropelada em Porto dos Gaúchos, a 644 km de Cuiabá. O sistema reprodutivo da sucuri-verde é vivíparo, pois ela desenvolve os filhotes dentro do corpo, em vez de botar ovos, como acontece com outras espécies.

“Em espanhol, ela é conhecida como Anaconda, nome no qual os filmes bombaram em Hollywood! Mas isso causou um pouco de exagero, a gente não tem nenhum relato oficial de sucuri que tenha atacado e devorado o ser humano, mas quero lembrar que os animais se defendem”, explicou.

A gravação foi feita nessa segunda-feira (6), na MT-338. No vídeo, registrado pelo pescador e youtuber, Ederson Negri Antonioli, é possível ver o animal de cerca de 5 metros de comprimento, morto no meio da estrada ao lado de dezenas de filhotes, que também não sobreviveram.

Perigosa?

De acordo com informações do Instituto Butantan, a sucuri-verde pode atingir até sete metros e pesar mais de 130kg.

Em conversa com o g1, o biólogo explicou que apesar da espécie ser considerada a maior serpente das Américas do Sul, Central e do Norte, a espécie não é venenosa, mas sim constritora. Isso significa que essas cobras usam a força muscular para imobilizar e matar suas presas por asfixia.

“Elas pegam suas presas, se enrolam e comprimem de modo que a presa tenta inspirar o ar e não consegue e quando a presa expira o ar, ela aperta ainda mais e a presa morre por parada cardíaca. Além disso, puxam as presas para a água e mesmo com pouca água, a presa fica de cabeça pra baixo e morre afogada”, diz.

De acordo com o Butantan, a sucuri se alimenta somente de carne e caça por espreita, à beira da água. Maníferos, aves, répteis e peixes estão entre os principais alimentos da espécie.

Há três tipos de sucuris no Brasil:

  • A eunectes-murinus, conhecida como sucuri-verde, é encontrada em 20 estados. Ela é a mais comum na região Norte do país;
  • Eunectes deschauenseei, conhecida como sucuri-malhada – é encontrada no Amapá e Pará;
  • Eunectes notaeus, conhecida como sucuri-amarela – é encontrada no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Desequilíbrio ambiental

Henrique disse ainda que o atropelamento de animais silvestres em rodovias de Mato Grosso evidencia um grave desequilíbrio ambiental causado pela falta de infraestrutura adequada para proteger a fauna local.

Além de buscas se aquecer às margens das estradas, muitas vezes a espécie precisa cruzar rodovias para acessar habitats ou fontes de alimento, aumentando o risco de acidentes.

O impacto desses atropelamentos vai além das perdas individuais. No caso das serpentes, o biólogo explicou que a ausência de uma única cobra adulta ao longo de 20 anos pode evitar o controle natural de até 1 milhão de roedores, desequilibrando toda a cadeia ecológica local, segundo um cálculo linear feito pelo biólogo Henrique.

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