A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciou nesta segunda-feira (14) um exercício militar nuclear na Europa, o que a Rússia chamou de uma escalada de tensões por conta da guerra travada na Ucrânia.
O exercício anual, chamado “Steadfast Noon”, terá duas semanas de duração e envolve mais de 60 aeronaves participando de voos de treinamento sobre a Europa Ocidental, entre elas, caças capazes de carregar ogivas nucleares dos EUA. O exercício, no entanto, não envolverá o uso de armas reais, segundo a Otan.
De acordo com a aliança, o exercício envolverá dois mil militares de oito bases aéreas e uma variedade de tipos de aeronaves, incluindo jatos com capacidade nuclear –incluindo avançados caças F-35A–, bombardeiros, caças de escolta, aviões de reabastecimento e aeronaves capazes de realizar reconhecimento e guerra eletrônica.
“A dissuasão nuclear é a pedra angular da segurança dos Aliados. O Steadfast Noon é um teste importante da capacidade de dissuasão nuclear da Aliança e envia uma mensagem clara a qualquer adversário de que a Otan protegerá e defenderá todos os Aliados”, disse o secretário-geral da organização, Mark Rutte.
Segundo a Otan, o exercício nuclear é uma atividade de treinamento de rotina que acontece todo mês de outubro. A operação deste ano envolve voos principalmente sobre os países anfitriões Bélgica e Holanda, e no espaço aéreo da Dinamarca, Reino Unido e Mar do Norte. Ao todo, treze países enviarão aeronaves para participar dos exercícios, informou a Organização.
O exercício militar ocorre em meio à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, iniciada em 2022 após uma invasão de tropas russas em território ucraniano. No início de agosto, tropas da Ucrânia iniciaram uma contraofensiva em território russo. O conflito continua se desdobrando: a Rússia anunciou que tomou controle de Ostrivske, uma vila no leste da Ucrânia, segundo a agência estatal Tass.
As tensões entre a Rússia e a Otan se intensificaram à medida que o conflito foi se desenrolando e as tropas russas foram avançando no território ucraniano.
Em janeiro, a Otan fez o maior exercício militar desde a Guerra Fria, com cerca de 90 mil soldados e manobras que simulam um eventual ataque russo.
Em março deste ano, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que o país está pronto para usar armas nucleares em caso de ameaça contra a existência do país. A fala ocorreu dias após o presidente da França, Emmanuel Macron, aventar a possibilidade de mandar tropas à Ucrânia para combater as russas.
No mês passado, Putin disse que poderia conduzir testes nucleares caso países do Ocidente permitirem que a Ucrânia use mísseis de longo alcance fornecidos por eles para atacar a Rússia. A liberação do uso dos mísseis, inclusive, representaria a entrada da Otan em uma “guerra contra a Rússia”.
A Otan também informou em comunicado que está tomando medidas para garantir a segurança, a eficácia e a credibilidade da capacidade de dissuasão nuclear da aliança militar, citando que os primeiros caças F-35A aliados, da Holanda, foram declarados prontos neste ano para desempenhar funções nucleares.
Rússia critica exercício nuclear
O Kremlin afirmou nesta segunda (14) que o exercício nuclear da Otan está alimentando as tensões à luz da “guerra quente” que se desenrola na Ucrânia.
“Nas condições de uma guerra quente, que está acontecendo no contexto do conflito ucraniano, esses exercícios não levam a nada além de uma maior escalada da tensão”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Peskov afirmou que também era impossível realizar negociações sobre armas nucleares com os EUA, algo que Washington sinalizou estar disposto a fazer, porque as potências nucleares ocidentais estão envolvidas no conflito contra a Rússia e, portanto, qualquer conversa sobre segurança teria que ser muito mais ampla em escopo.
Em resposta, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que a Otan não se deixará intimidar pelas ameaças russas e continuará com seu forte apoio à Ucrânia.
“A mensagem (para o presidente russo Vladimir Putin) é que continuaremos, que faremos o que for necessário para garantir que ele não consiga o que quer, que a Ucrânia prevalecerá”, disse ele à Reuters em uma entrevista conjunta com a rádio pública alemã Hessischer Rundfunk na segunda-feira.





