Nessa segunda-feira (17), o cantor Marrone, de 58 anos, que faz dupla com Bruno, de 55, surpreendeu a todos depois de passar por uma cirurgia de emergência nos dois olhos, em um hospital em Goiânia, Goiás. A assessoria de comunicação do artista disse que ele foi diagnosticado com um glaucoma em estágio avançado. Após o susto, ele passa bem.
O glaucoma é uma doença dos olhos que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo e é considerado um inimigo silencioso da visão. A doença é provocada pelo aumento da pressão intraocular, gerando danos ao nervo óptico. Se não controlada, pode levar à perda irreversível da visão. O glaucoma não tem cura e pode ser controlado com colírios, mas, em casos mais graves, só a cirurgia de correção pode solucionar momentaneamente o problema.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem com os impactos do glaucoma. À medida que a doença progride, pode causar perda gradual da visão periférica (visão lateral), resultando em uma visão em forma de túnel se não tratada. À Quem, o oftalmologista Gustavo Bonfadini esclareceu dúvidas sobre a doença, como identificar e os principais cuidados antes e depois da cirurgia. Confira, abaixo:
Como o glaucoma surge?
O glaucoma geralmente é causado por um aumento na pressão intraocular (PIO), que pode danificar o nervo óptico. Esse aumento na PIO pode ocorrer devido à produção excessiva de líquido intraocular (humor aquoso); drenagem inadequada desse líquido; e problemas estruturais no ângulo de drenagem do olho. Fatores de risco incluem idade avançada, histórico familiar de glaucoma, doenças crônicas como diabetes e hipertensão, e uso prolongado de corticosteroides.
Quais os sintomas do glaucoma?
Além da perda de visão periférica, outros sintomas podem incluir: dor ocular, vermelhidão no olho, visão embaçada, aparição de halos ao redor de luzes, náuseas e vômitos (em casos de glaucoma agudo de ângulo fechado).
Qual a importância dos exames de rotina, já que o caso do Marrone só foi identificado quando já estava avançado?
Os exames de rotina são cruciais para a detecção precoce do glaucoma. Muitas pessoas, como no caso do cantor Marrone, só descobrem a doença em estágio avançado, quando já ocorreu perda significativa da visão. Exames regulares permitem: medir a pressão intraocular; avaliar o nervo óptico como Tomografia de Coerência Óptica (OCT) e o campo visual; e detectar mudanças precoces que possam ser tratadas antes que causem danos irreversíveis. A identificação precoce, aliada ao tratamento adequado e hábitos de vida saudáveis, pode fazer toda a diferença na preservação da visão e na qualidade de vida das pessoas afetadas pelo glaucoma.
Corre o risco de voltar mesmo após a cirurgia? Todos estão aptos a fazer a cirurgia? Como ela é realizada?
Sim, há risco de o glaucoma voltar mesmo após a cirurgia, pois ela não cura a doença, mas ajuda a controlar a pressão intraocular. O tratamento inicial do glaucoma é realizado com colírios e apenas em casos graves é indicada a cirurgia. Nem todos estão aptos à operação. A indicação depende do tipo de glaucoma, da resposta a tratamentos anteriores e da saúde geral do paciente.
As principais técnicas cirúrgicas incluem a trabeculectomia (criação de um canal de drenagem para o humor aquoso); implantes de drenagem (dispositivos que ajudam na drenagem do líquido); e cirurgias minimamente invasivas (MIGS) — procedimentos com menor risco e recuperação mais rápida.
Fica alguma sequela após o procedimento?
Como qualquer cirurgia, existem riscos de complicações e sequelas, como infecção, inflamação, hemorragia ocular, formação de cicatrizes que podem obstruir novamente a drenagem e alterações na visão, como visão embaçada temporária.
Quais os cuidados antes e depois da cirurgia?
Antes da cirurgia, o paciente deve realizar todos os exames pré-operatórios recomendados, informar o médico oftalmologista sobre todos os medicamentos em uso e seguir orientações sobre jejum e uso de medicamentos específicos. Depois do procedimento, tem de usar colírios e medicamentos conforme prescrição para prevenir infecção e inflamação, evitar atividades físicas intensas, proteger o olho de lesões e evitar esfregá-lo e comparecer a todas as consultas de acompanhamento para monitorar a recuperação e a eficácia da cirurgia.





