Mário Marques de Almeida se foi levando consigo uma geração de jornalistas que já não se fabrica mais. O velho jornalista tinha uma qualidade de texto que não se vê mais nos dias de hoje; e mais: tinha uma capacidade de análise de conjuntura fora do comum.
Tive o prazer de conhecê-lo e de trabalhar com ele, era uma mente brilhante e que mesmo no final da vida, sempre fez questão de dar a sua opinião muito lúcida por sinal.
Mário, mesmo debilitado pela diabetes, ele sempre fez questão de acompanhar o processo político em Mato Grosso. Infelizmente, na última sexta (7) com a morte de Mário, perdemos uma referência.
Conheci Mário quando ainda era criança, nos anos 80, época em que ele comandava a comunicação da prefeitura de Rondonópolis que era governada por Carlos Gomes Bezerra. Junto com alguns amigos e minhas irmãs, tínhamos um informativo chamado “O Segredinho” e fomos até Mário pedir patrocínio para nosso jornalzinho. Ele prontamente bancou o serviço de fotocópia para a publicação.
Mário era um homem à frente de seu tempo.
Durante a gestão Bezerra, ele implementou uma política de comunicação que, pela primeira vez, levou um prefeito de Rondonópolis ao governo do Estado. Mário abriu caminho para que o então prefeito de Rondonópolis ficasse conhecido em todo o Estado, pavimentando seu projeto de se tornar governador. Bezerra, percebendo o valor de Mário, o levou para a capital, onde ele comandou a comunicação do Estado e, em seguida, foi para a Imprensa Oficial de Mato Grosso (IOMAT).
Mário transformou a IOMAT, que estava em péssimas condições, modernizando o órgão e atendendo de verdade à demanda de publicações do Estado.
Em 1999, reencontrei Mário na redação do extinto Jornal de Hoje, pertencente à família Bezerra.
Mário escrevia sobre a chegada do trem em Rondonópolis, um fato que se concretizou dez anos depois. Ele já previa o terminal de Rondonópolis e a importância do mesmo.
Em 2000, cruzei novamente com Mário, que me apresentou um novo produto que ele acreditava ser a tendência de mídia em Mato Grosso.
Ele havia acabado de lançar o Olhar Direto, um dos primeiros sites de notícias do estado, pioneiro junto com Midianews e 24horasnews.
Anos mais tarde, ele vendeu o Olhar para Marcos Coutinho, que infelizmente também faleceu.
Em 2004, nos aproximamos ainda mais e, com o apoio de Ailton Lima, mestre de marketing político que Mário trouxe de Goiânia, e José Mota, tocamos uma campanha com poucos recursos e uma equipe reduzida para o então deputado estadual Zé Carlos do Pátio.
Foi da cabeça de Mário que nasceu o slogan “O Zé que o Povo Quer”. Apesar de termos perdido a eleição, nos sentimos vencedores pelo resultado satisfatório obtido com tão pouca estrutura.
Durante essa campanha, Mário me ensinou a me posicionar como assessor de imprensa em momentos de crise.
Ele explicava didaticamente como responder a uma pesquisa com resultados desfavoráveis, dizendo que jamais se deve questionar ou atacar o instituto de pesquisa, mas sim afirmar que estranha os números e que os levantamentos internos mostram dados diferentes, sempre respeitando o trabalho do instituto.
Mario entendia que o mesmo instituto poderia mostrar no futuro um resultado favorável e a crítica ou ataque, acabara descredenciando uma pesquisa futura favorável.
Em 2005, encontrei Mário empolgadíssimo nos corredores da Assembleia Legislativa, dizendo que havia encontrado um personagem com capacidade de ser senador ou até mesmo governador do Estado. Ele se referia ao procurador federal Pedro Gonçalves Taques. A profecia de Mário se concretizou: Taques foi eleito ao Senado em 2010 e ao governo em 2014.
Nos últimos anos, vi Mário em 2008 incentivando Zé do Pátio a ser candidato. Com sua ajuda e perspicácia, Pátio venceu uma eleição duríssima contra Sachetti. Mário ajudou na negociação para que Carlos Rayel fizesse o marketing de Pátio, e daí em diante, Mário se tornou o principal consultor de mídia e marketing de Pátio, testemunhando suas vitórias nas eleições de 2016 e 2020.
Sem falsa modéstia, Mário estava muito à frente de seu tempo, e suas memórias merecem ser eternizadas.





