O Nissan Sentra retornou ao mercado brasileiro em sua oitava geração, com a missão de atrair os consumidores órfãos do Honda Civic. Para isso, a Nissan apostou em uma dose de ousadia que apenas a Honda havia explorado neste segmento. O carro importado do México melhorou tanto em desempenho quanto em conforto, e tenta vender a imagem de um carro moderno e descolado.
Mas será que isso será o suficiente para roubar algumas vendas do eterno líder Corolla? O Autos Segredos decidiu mostrar que o novo Sentra é um carro melhor que o sedã da Toyota e que pode abalar – pelo menos um pouco – o seu reinado. Vale ressaltar que apenas consideramos as versões a combustão do Corolla.
Desempenho
Em termos de números, o Corolla é consideravelmente mais potente que o Sentra. O modelo da Toyota tem um motor 2.0 flex de 177/169 cv com injeção direta. Durante a condução, o líder do segmento de carros médios prioriza o conforto, o que é evidente com o câmbio CVT com 10 marchas simuladas. Esse é possivelmente o melhor ajuste de transmissão continuamente variável do mercado.
O Corolla acaba entregando uma força considerável apenas quando é exigido. Quando você acelera, o motor responde bem, mas sem trancos mais fortes ou subidas abruptas de rotação. No geral, o Corolla é o pacato cidadão de sempre, que transformou a Toyota em uma das marcas mais queridas e incontestáveis do planeta.
No caso do novo Sentra, o antigo motor MR20DD recebeu melhorias e injeção direta de combustível, mas só aceita gasolina. São 151 cv e 20 kgfm, que melhoraram significativamente a agilidade do modelo nas saídas de semáforo e também na estrada. Não é que ele tenha se tornado um carro esportivo, mas agora tem um desempenho ligeiramente melhor do que o Corolla.
É importante destacar a adoção de marchas simuladas no câmbio CVT do Sentra, o que merece aplausos – a Nissan parecia irredutível em relação à colocação de mudanças sequenciais em suas transmissões. A transmissão recalibrada oferece mais interação com o carro e, consequentemente, um desempenho mais divertido.
Dinâmica A Nissan afirmou ter feito um trabalho exaustivo de engenharia para melhorar a construção do Sentra. O carro realmente ficou mais estável nas curvas, especialmente devido à adoção de uma suspensão traseira independente multibraço, mais refinada do que o anterior eixo de torção.
A carroceria do Sentra oscila bem pouco e o carro não dá sinais de sair de frente em curvas mais ousadas na estrada. A direção com assistência elétrica também é precisa e oferece ainda mais segurança ao motorista.
O Corolla também apresenta uma estabilidade exemplar, porém seu comportamento dinâmico é mais anestesiado. O sedã da Toyota tem uma construção sólida, mas a carroceria merecia um ajuste mais firme, assim como a direção.
Consumo
Quando se trata de consumo de combustível, de acordo com os padrões de medição do Inmetro para o PBEV 2023, o Toyota Corolla é ligeiramente mais econômico que o Nissan Sentra. Neste comparativo, estamos considerando apenas as médias de consumo com gasolina, uma vez que o Nissan não tem motor flex.
O Sentra tem uma proposta de conforto mais apurada, com todos os bancos do sedã agora equipados com a tecnologia zero gravity, que acomoda bem qualquer tipo de corpo. O espaço para o motorista é bastante amplo, e o banco traseiro recebe confortavelmente três adultos. No entanto, o porta-malas diminuiu de 503 litros da geração anterior para 466 litros, embora tenha um bom vão para colocação de bagagens. Além disso, o acerto do câmbio CVT e o tratamento acústico melhoraram bastante o silêncio a bordo do Nissan. Outro ganho se deu na suspensão traseira, uma vez que o jogo multibraço independente conferiu mais conforto, especialmente aos passageiros de trás.
Apesar das várias virtudes do Sentra, no conjunto da obra, o Corolla ainda é superior em termos de conforto. Os assentos são confortáveis, a posição de dirigir é eficiente, e o isolamento acústico é melhor. A suspensão do Toyota – também multibraço – filtra bem as imperfeições, e o porta-malas é praticamente do mesmo tamanho do rival.
Em relação aos equipamentos, o Sentra mais barato chegou na versão Advance por R$ 148.490, que é um pouco mais cara do que o Corolla GLi 2.0, que sai por R$ 146.890. O Nissan leva a vantagem em alguns equipamentos de conforto, como o ar-condicionado automático dual zone, o banco do motorista com regulagem elétrica e aquecimento, o revestimento de couro, a troca de marchas em aletas no volante e a chave presencial. No entanto, o Corolla tem itens de segurança mais interessantes, como o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), o assistente ativo de permanência em faixa e o sensor de farol alto. O Sentra acena com detector de fadiga e monitoramento dos pneus como únicos itens de segurança ausentes no concorrente.
Na versão topo de linha Exclusive, o Sentra ganha equipamentos semi-autônomos legais, como o ACC e o farol alto automático, além do alerta de ponto cego, que não estão presentes no Corolla Altis 2.0. O Sentra Exclusive também oferece câmera 360 e alerta de tráfego cruzado, partida remota do motor, sistema de som premium da Bose e teto solar como itens de série, enquanto o Corolla Altis fica devendo a regulagem elétrica dos bancos, o sensor de ponto cego e o monitoramento de pneus que equipam o Nissan.
No geral, ambos os sedãs são excelentes opções de compra, e a escolha final dependerá do que é mais importante para o comprador: economia de combustível, conforto ou equipamentos.





