Com a popularização do Bitcoin (BTC), o mundo começou a despertar os olhos para as vantagens trazidas pela criptomoeda. Mas além de negociar Bitcoin, há outras formas de investir na criptomoeda. Uma delas, por exemplo, é através da mineração.
A oferta de BTC no mundo já está dada: haverão somente 21 milhões de unidades, conforme dito por Satoshi Nakamoto em seu white paper. Contudo, esses BTC não estão todos de uma vez na economia, os mineradores precisam encontrá-los. Esse processo ocorre através da mineração, que envolve a realização de cálculos complexos para encontrar os blocos de transações do BTC.
Uma vez que o minerador encontra o bloco, ele recebe BTC como recompensa, e esses novos BTC aumentam a oferta da moeda. Eventualmente, a mineração acabará quando todas as 21 milhões de unidades forem devidamente descobertas.
No entanto, muitos críticos se opõem à mineração de BTC por conta de supostos impactos ambientais negativos. Mas será que a mineração é nociva ao meio ambiente ou ela pode se tornar um investimento sustentável no futuro?
A mineração de BTC no mundo
Neste momento, de acordo com estimativas gerais, há cerca de três milhões de máquinas trabalhando em potência máxima para a geração de um novo bloco de transações de BTC a cada 10 minutos.
Devido à complexidade da operação, essas máquinas realizam trilhões de cálculos por segundo e requerem uma enorme potência. De acordo com estudos da Universidade de Cambridge, a mineração de BTC consome cerca de 136 terawatt-hora (TWh) por ano, valor que corresponde ao consumo inteiro de países como Suécia e Argentina, por exemplo.
Todavia, a mineração de BTC consome muito menos energia do que outros serviços globais. Por exemplo, o consumo de energia de data centers é estimado entre 200 e 250 TWh, no mínimo 50% mais do que a rede do BTC. Até mesmo o consumo de
energia global de lavadoras de roupas é maior do que o consumo da mineração de BTC.
Mesmo assim, vários países já se mexem para colocar restrições ou até mesmo proibir a mineração de BTC. A União Europeia quase conseguiu isso este ano, mas o Parlamento europeu rejeitou a proposta.
Impulsionando energias verdes
Enquanto os legisladores buscam proibir a mineração, a maioria deles deixa escapar um detalhe crucial. Longe de contribuir para a poluição ambiental, a mineração de BTC na verdade torna a matriz energética global mais limpa, sustentável e eficiente.
A Universidade de Cambridge aponta que a mineração de BTC utiliza entre 40% a 75% de energias renováveis em seu processo. O uso do carvão, considerada a forma mais poluente de energia, mal chega a 20%. Além disso, o BTC utiliza fontes como energia nuclear e solar, que são as que mais crescem no mundo.
Por outro lado, a energia utilizada no processo de mineração do BTC é uma energia que, de outra maneira, seria desperdiçada. Ou seja, energia excedente que os países ou as pessoas teriam que jogar fora. Em vez disso, essas pessoas agora podem utilizar esse excedente para produzir BTC, transformando energia em dinheiro através de uma criptomoeda que tende a se valorizar no longo prazo.
Outra questão é que o mundo vê cada vez mais mineradoras listadas em bolsas de valores, o que é um fato positivo. Afinal, empresas listadas na bolsa precisam ter mais transparência com o mercado e os seus acionistas, inclusive quanto às suas práticas ESG. Isso serve como um incentivo para que essas companhias invistam no uso de fontes de energia renováveis, tornando a mineração ainda mais limpa.
Em suma, quanto mais a mineração de BTC avançar, mais os mineradores tendem a buscar formas mais eficientes de energia. Com essa busca, o preço das energias renováveis tende a cair, o que beneficia a comunidade, o meio ambiente e a matriz energética dos países.





