Os homens estão mais preocupados com a calvície, mas isso vem acompanhado de um hábito nocivo que segue crescendo: a automedicação. De acordo com um levantamento feito pela Semrush, plataforma especializada em métricas de buscas na internet, pesquisas com termos relacionados à “queda capilar” cresceram nos últimos dois anos. Dentre eles, a busca da palavra calvície aumentou 400% enquanto “remédio calvície” cresceu 176,9%. Contudo, a médica dermatologista especialista em tricologia, Lorena Ávila, reforça que se trata de uma condição crônica e que o tratamento eficaz sempre precisa ser individualizado.
Calvície e automedicação
Recentemente, dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostraram que 77% da população brasileira ainda fazem uso da automedicação. Para a médica, é comum ver medicamentos sendo tratados como “melhor” ou “pior” para a calvície, mas essa crença é equivocada. “Se tratando de uma condição de saúde que envolve mecanismos patológicos, o tratamento não é feito dessa forma. Não existe receita de bolo! Temos o melhor tratamento para aquele determinado paciente, dentro das possibilidades dele, ou seja, a abordagem é individualizada”, pontua.
De acordo com a especialista, é importante entender como funciona a calvície. “Nela, o cabelo cai dentro do padrão natural de queda, mas o próximo fio vai nascendo mais fino e curto, ou seja, vai se tornando uma ‘miniatura’ do cabelo original. Esse processo é chamado de miniaturização. É isso que vamos combater”, explica.
Diferentes opções
Apesar do senso comum sobre medicamentos melhores ou piores, Lorena Ávila explica que existem diferentes opções de tratamentos e que, o mais comum, é associar medicações para obter o melhor resultado para cada paciente.
Como ela exemplifica, existem medicamentos que vão diminuir a DHT (di-hidrotestosterona), produto da testosterona responsável por afinar os fios, e outros que vão estimular o crescimento dos pelos corporais. Dentre as opções, a dermatologista cita o minoxidil, que se tornou cada vez mais procurado na internet. “Ele prolonga a fase de crescimento do cabelo, que chamamos de anágena. Com isso, vamos ter mais cabelos terminais, ou seja, vamos ter mais volume de cabelo. Porém, se for usado sozinho no tratamento da calvície, apesar do aumento do volume inicial, com o passar do tempo não vamos manter essa melhora, pois a doença continuará evoluindo”, esclarece.
Sem soluções mágicas
Outro ponto que a especialista em tricologia salienta é que o tratamento clínico, seja com uso de medicação tópica ou oral, é o padrão ouro. Isso significa que qualquer procedimento deve ser visto como um complemento e não como a primeira opção.
Contudo, Lorena Ávila frisa que a calvície é uma condição genética sem cura até o momento. Sendo assim, o paciente precisa entender que o tratamento será contínuo e se comprometer com ele. Por isso mesmo, o acompanhamento com dermatologista é fundamental para saber qual a melhor forma de abordar cada caso.





