Um levantamento feito nesta semana pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Rondonópolis (CDL) questionou a efetividade da tomada de medidas de restrição severa, o chamado lockdown, na redução dos números de contaminação e mortes por Covid-19 no Brasil desde o início da pandemia. O recorte considera e compara Estados cujos governos estaduais decretaram o fechamento de todas as atividades em relação aos de ações mais brandas por parte dos Poderes Executivos.
O estudo colheu números e informações de algumas das principais capitais dos Estados brasileiros atualizados até o último dia 01. Os dados foram obtidos junto ao IBGE e às atualizações da pandemia junto ao Consórcio Nacional de Veículos de Imprensa, que reúne os principais grupos de comunicação do país. Não leva em consideração, porém a publicação de Decretos Municipais e decisões de prefeitos no sentido mais restritivo ante os casos de contaminação e mortes em suas respectivas cidades.
Segundo os dados obtidos, o percentual de casos de contaminação e mortes por Covid-19 nos Estados que adotaram o lockdown ante os que optaram por não adotar, aponta para uma falta de efetividade no fechamento de todas as atividades como medida de combate e controle dos números da pandemia. Na lista, foram considerados todo os Estados que, partindo de Decretos Estaduais, aderiram ao fechamento em pelo menos um de seus municípios e por pelo menos um dia.
No caso da média de mortes por Covid-19 entre os Estados que aderiram ao lockdown, o levantamento mostra o percentual de 0,30%. A diferença é relativamente pequena na comparação com os Estados que não aderiram ao fechamento, 0,26%. “Isso pode significar, por exemplo, que talvez não se atribua ao lockdown em si a diferença, mas sim, na atuação das esferas em outras frentes, como estruturação de seus sistemas de saúde e fiscalização, por exemplo”, argumenta o presidente da CDL, Thiago Sperança.
Sobre a média de casos de infecção, a diferença também não é larga. Nos Estados que aderiram ao lockdown, o percentual está em 13,87%. No caso dos Estados que não aderiram, o número é 13,14%, segundo o levantamento.
Como comparativo, o levantamento traz a relação de Estados como o Rio de Janeiro e Distrito Federal, que adotaram como medida o fechamento de todas as atividades, 19 dais e 28 dias, respectivamente. O percentual de casos de mortes em relação a população de cada estado fica em 0,40% e 0,36%, respectivamente.
No mesmo quadro, exemplos de outros dois Estados, onde o lockdown não foi decreto pelos seus governos estaduais. Mesmo com todas as atividades mantidas em aberto, o percentual de mortes por covid em relação a população do Maranhão ficou em 0,15%, e 0,19% no caso do Estado de Alagoas. “Nosso comparativo, neste recorte da realidade brasileira, abre a reflexão para a adoção de medidas adotadas com mais profundidade e eficiência. Fechar por fechar as atividades já se mostrou ineficaz na luta contra a Covid-19. O único e verdadeiro resultado prático foi o desemprego e a perda de renda da população, sem qualquer efeito na redução dos números da pandemia. Por isso nossa defesa está na triagem, na estruturação da saúde, na fiscalização e gestão dos recursos públicos”, completa Sperança.





