Neste mês de abril é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, batizado também de Abril Azul. E para trabalhar exatamente essa conscientização o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus Rondonópolis realizou nesta sexta-feira (26) uma série de palestras com estudantes do ensino médio e docentes. A palestrante foi a psicóloga Érica Rezende, idealizadora do projeto “Autismo na Escola”, que teve seu trabalho divulgado diversas vezes em rede nacional através da experiência que ela possui, por ter dois filhos com autismo.
As palestras foram realizadas em dois momentos diferentes, sendo que a primeira foi buscar a conscientização dos estudantes com relação ao autismo e como reconhecer e lidar com colegas que possam ter o transtorno. E o segundo momento, foi uma conversa direta com os docentes para debater sobre o tratamento que deve ser dado ao estudantes autismo.
De acordo com Érica Rezende, o Autismo não é o maior problema que uma pessoa que tem o problema enfrenta, a questão mais delicada de se tratar é o preconceito. E com as experiências vividas ao longo dos 27 anos, que é a idade do filho mais velho que é autista, a psicóloga Érica percebeu que nem tudo se tratava de preconceito e sim de falta de informação.
“A vivência com preconceito, através das nossas dores e dificuldades é que surgiu a ideia de criarmos o projeto. Pois percebemos que nem tudo era preconceito, mas sim falta de informação. E a gente faz isso porque acredita nisso e em um Brasil mais tolerante”, disse Rezende.
Nos trabalhos desenvolvidos nas escolas de Rondonópolis principalmente, a psicóloga relata diversos casos de crianças que descobriram ser Autistas através das palestras e dos materiais didáticos distribuídos. E ela dá dicas para pais poderem realizar esse pré-diagnóstico e como proceder posteriormente.
“A criança de 1 ano e 6 meses já dá para identificar. O olhar os olhos, tem dificuldade de focar, responder determinados estímulos. A partir dessas vivências, ter um certo atraso no desenvolvimento, por exemplo, na fala ou no balbucio. Dai em diante já é importante os pais procurarem um pediatra, um neuropediatra ou psiquiatra infantil”, explicou.
Durante a palestra, a psicóloga utilizou de algumas dinâmicas com os alunos estimulando a questão do olfato, tato, paladar, audição e visão, para demonstrar como funciona a hipersensibilidade nos Autistas. Para a estudante de Secretariado Thairine Moreno, que passou pelo teste da visão, a palestra trouxe muitas informações novas e ajudou a entender o que passa uma pessoa que possui o transtorno.
“Eu já sabia que o Autismo é um transtorno e não uma doença, mas nunca havia convivido com uma pessoa que tem autismo. Eu achei a palestra muito interessante em relação a isso, pois adquirimos conhecimento e aprendemos que não deve se sentir acanhado quando vai interagir com um autismo. A dinâmica foi bem sensorial, e eu sou uma pessoa muito sensorial, e a luz que ela colocou na minha frente me deixou um desconforto enorme, então agora eu imagino como é para os autistas”, disse Thairine.
Érica Rezende é psicóloga com especialidade em neuropsicologia, tem três filhos, Enã Rezende, 27 anos, (autismo leve), Eliã Rezende, 20 anos (não é autista) e Isabele Rezende (autismo grave). O projeto Autismo na Escola é desenvolvido desde 2017 em Rondonópolis. O projeto tomou notoriedade nacional, desde quando a família foi no programa ‘Encontro com a Fátima’ na rede Globo, contar a história do Enã que se formou em medicina e hoje atende em um posto de saúde em Rondonópolis. O objetivo da psicóloga e tornar cada vez mais conhecido o projeto, para que outras crianças não passem pelos mesmos preconceitos que os filhos passaram.





