99,9% das pessoas que emagrecem rápido ficam ainda mais gordas nos três anos seguintes, diz psicóloga

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Nos últimos dias, a cantora Adele foi destaque no mundo todo após perder 68 quilos em dois anos. No Brasil, a apresentadora da Rede Record Fabiola Gadelha também surpreendeu ao aparecer com 25 quilos a menos.

Passado o momento de empolgação e de elogios, os próximos três anos serão decisivos para a manutenção da nova silhueta. Segundo a psicóloga Maria Luisa Guedes, professora da disciplina de Transtornos Alimentares da PUC-SP, 99,9% das pessoas que perdem muito peso rapidamente botam tudo a perder nos anos seguintes.

— Para a grande maioria o período crítico é de três anos. A pessoa engorda tudo o que tinha perdido, ultrapassa o patamar anterior e fica até mais gorda do que era antes.

No meio do processo, Adele chegou a perder seis quilos em apenas 20 dias. A cantora aproveitou o nascimento do filho para dar um tempo na carreira e se dedicar ao corpo. A motivação para manter a dieta veio com a ajuda do marido, que entrou na nova rotina junto com a artista.

Em entrevista à revista People, ela disse que após a maternidade resolveu largar o cigarro, virou vegetariana e abandonou a vida sedentária.

Já Fabíola Gadelha resolveu mudar de vida quando chegou aos 105 quilos. A apresentadora fez dieta e lipoaspiração para atingir seu objetivo. Determinada, Fabíola perdeu 20 quilos em três meses. Os outros cinco vieram graças à reeducação alimentar.

— Procurei uma equipe médica que me ajudou muito e disse: “Meu foco não é emagrecer. O que eu preciso pra ter saúde?”. Eu tenho muito que viver, namorar muito!

Na opinião da psicóloga, os dois casos são normais de pessoas que encontraram motivação suficiente para perder bastante peso em pouco tempo. O problema maior é o que as duas farão quando passar esse período de euforia.

— Por dentro é uma sensação muito prazerosa, mas daqui a pouco ninguém mais vai reparar. É nesse momento que o monitoramento passa a ser essencial. Comer é um vício como qualquer outro, então quem perde peso vai precisar se monitorar durante um bom tempo, talvez a vida inteira.

É por isso que as alternativas mais rápidas, como a cirurgia bariátrica, costumam ser uma armadilha na luta contra a balança.

— Não adianta porque a pessoa não muda a cabeça, não muda os hábitos.

Crise de identidade

Quem associa a imagem à gordura pode também enfrentar uma crise de identidade quando emagrece muito. O caso mais conhecido aconteceu com o apresentador Jô Soares.

Famoso pelo programa ‘Viva o gordo’ e pelo bordão ‘um beijo do gordo’, Jô chegou a perder metade da massa corporal na década de 1970. Passou dos 160 para os 80 quilos. Em entrevista ao programa Roda Viva em 1990, o humorista contou que as pessoas estranharam muito a mudança. E ele voltou a engordar.

— O que eu senti quando eu emagreci é que as pessoas estranhavam muito a diferença de formato. A minha marca registrada é ser gordo.

Jô afirmou que foi o único gordo que emagreceu e não teve nenhum estímulo positivo.

— Eu fiz um espetáculo, na época, de teatro, chamado 'Ame um gordo antes que acabe'. As pessoas morriam de rir, era um espetáculo super engraçado. Foi super bem criticado e tudo. Mas as pessoas estranhavam alguma coisa. Então aí eu voltei a engordar, voltei aos 120, 127, dependendo da época, exatamente porque eu fui o único gordo do mundo que emagreceu e não teve estímulo. Porque geralmente o sujeito emagrece e todo mundo fala, “Emagreceu, está ótimo! Que bonito, está magro!”. Comigo era o contrário, “Pô! Emagreceu, que horror! Você é tão melhor gordo!”.

Nos casos de Adele e Fabíola, o efeito é exatamente o contrário, diz a psicóloga Maria Luisa Guedes.

— O exemplo do Jô é muito particular porque ele tinha a imagem de gordo como profissão. Ele vivia disso e se fez assim. Nos casos da Adele e da Fabíola, não. A gordura atrapalha as duas. O grande problema é a manutenção da perda de peso. Agora tem que cuidar.