Wellington critica Governo por abandono ao pequeno produtor: ‘Matam a fome’

Em pronunciamento, senador de Mato Grosso voltou a criticar proposta que acaba com os pequenos municípios




“Eu digo aqui e não tenho vergonha de repetir: a gente fala de boca cheia que Mato Grosso é o Estado da exportação, das commodities agrícolas, o maior exportador de soja, de milho, de proteína animal, tanto de bovino…Temos o maior rebanho bovino brasileiro. Temos também lá uma produção de suínos de alta escala, com alta tecnificação, e também a carne de aves, mas o pequeno produtor há muito tempo vem praticamente sendo abandonado no nosso Estado”.

A afirmação, em tom de indignação, foi feita nesta quinta-feira, 5, pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT) ao seu pronunciar no plenário do Senado, e cobrar das autoridades ações efetivas em favor da regularização fundiária no Estado. Segundo o senador, cinco governos já passaram e o  pequeno produtor segue sem a devida atenção. “A regularização é fundamental, assim como, principalmente, a assistência técnica” – acrescentou.

Para o senador, o trabalho que vem sendo feito junto aos órgãos fundiários, uma vez concluído, deve “representar uma revolução na economia e também na área social, dando apoio àqueles que estão lá, ajudando a produzir principalmente a cesta básica, como eu digo, para tirar a fome das grandes cidades. E a cesta básica é fundamental básica, como eu digo, para tirar a fome das grandes cidades”.

As ponderações de Wellington Fagundes foram feitas no contexto das críticas à Proposta de Emenda à Constituição 188/19, a chamada PEC do Pacto Federativo, precisamente no dispositivo que extingue municípios com até cinco mil habitantes que não demonstrem viabilidade econômica, isto é, renda de 10% do Orçamento.

Os maiores atingidos pela medida, segundo o senador, seriam exatamente os municípios que integram a zona rural brasileira. “Eu sempre tenho dito e repetido: quem está lá na zona rural, quem está lá produzindo leite, fazendo queijo e passa por uma estrada esburacada fica revoltado, porque ele também paga imposto, ele quer uma melhor saúde; o cidadão quer, acima de tudo, dignidade e respeito” – assinalou.

Wellington lembrou que nenhum município nasce grande. “Uma cidade começa com um pequeno comércio, com um posto de gasolina, e vai crescendo. Mas às vezes uma cidade pequena tem uma qualidade de vida muito melhor, porque não tem os problemas de tanta tensão social, de insegurança, que às vezes uma cidade grande tem” – lembrou, ao destacar a emenda apresentada a PEC para extrair o dispositivo.

Wellington reafirmou a importância de “valorizar as pequenas cidades” e lembrou que em Mato Grosso “as distâncias são muito grandes”. Citou como exemplo, o município de Rondolândia, distante 800 quilômetros da Capital, Cuiabá. Se extinto, ficará 400 quilômetros do chamado município-mãe. “O que nós precisamos é dar eficiência na aplicação do recurso público” – ponderou, ao defender a interiorização do país.

“Sou defensor do tema que o Presidente da República colocou tanto: “Menos Brasília, mais Brasil”. Nós temos é que descentralizar a aplicação do recurso público” – assinalou o senador, que ocupa a vice-presidência da Frente Parlamentar em Defesa dos Municípios Brasileiros.