Tempo reduzido nas academias devido à pandemia não impacta nos resultados, garante treinador

Entre as medidas de segurança contra Covid-19 adotadas pelos locais de musculação, está a diminuição do tempo de treinamento

Divulgação / MF Press Global

Há cerca de dois meses, academias em todo o país voltaram a abrir as portas. Apesar da liberação por parte das autoridades e das medidas adotadas pelos estabelecimentos — tempo reduzido de permanência do aluno, álcool gel, máscaras e distanciamento de 1,5 metro —muitos praticantes ainda preferem manter a rotina de exercícios restrita à casa ou ao ar livre. 

Entre as principais questões levantadas por quem quer voltar, mas ainda não sabe se é uma boa alternativa, está justamente o menor tempo de permanência: há quem questione se 60 minutos é tempo suficiente para obter resultados. De acordo com o especialista Tauan Gomes, essa é uma preocupação baseada na falsa ideia de rendimento, já que o fato de treinar por mais tempo, não garante por si só, resultados significativos. 

“Muitas horas de treinamento podem, na verdade, atrapalhar o rendimento do exercício e os resultados físicos, pois ocorre um grande processo de catabolismo muscular, obrigando o corpo a usar mais a reserva de energia, na tentativa de conseguir se recuperar. Dessa forma, o organismo e a mente atingem um estado de overtrainnig, onde há perda da performance decorrente de um treinamento excessivo e prolongado”, explica. 




Tauan Gomes garante que uma sessão de 30 a 40 minutos, que mantenha alta intensidade, densidade e respeite a regularidade nos exercícios já é mais do que suficiente pra atingir resultados e recuperar meses de treinamentos mais leves. “Os treinos curtos estimulam a partida de superação diária por conta da maior intensidade, quanto mais curto o treino, mais energia você consegue entregar. Além disso, o foco é maior e mais intenso, auxiliando inclusive no combate ao estresse do dia a dia”, aponta. 

Há estudos que comprovam essa relação entre tempo, intensidade e resultados. Entre eles está a pesquisa conduzida pelo especialista em fisiologia do esporte Izumi Tabata, da Universidade de Ritsumeikan, em Quioto, no Japão, que comprovou que um treino intervalado de alta intensidade — conhecido como método TÁBATA que dura quatro minutos — consegue queimar gordura mais rápido e, ainda, melhorar as capacidades cardiovasculares gerando um ganho de até 48 horas após o treino.  

Esse raciocínio funciona tanto para quem busca hipertrofia, quanto emagrecimento. Outro ponto é que o treino mais curto ajuda com que a execução do exercício seja mais precisa e a chance de lesão seja menor, além de estimular o corpo. “Poucos minutos de treinos podem gerar até dois dias de queima se você usar o método certo. Isso porque mesmo após o exercício, o corpo mantém o processo de queima”, garante.