Sul-Americano impulsiona beisebol de Mato Grosso

Mais do que uma competição, o XIII Sul-Americano de beisebol foi uma vitrine viva do potencial do esporte e do tanto que o Brasil tem a crescer. Para Mato Grosso, que ainda não compete nacionalmente, o legado do torneio pode ser bem maior do que se imagina. Além do ganho em infraestrutura e o fomento de intercâmbios para os atletas, a competição instalou uma nova mentalidade na comunidade ‘beisebolística’, a de que é possível fazer. “Não podemos parar nem deixar que essa chama enfraqueça. O impacto deste evento foi extremamente positivo não só para Mato Grosso, mas para todas as cidades do país”, pontua o presidente da Associação Nipo-Brasileira de Cuiabá e Federação Mato-Grossense de Beisebol, Yuji Izawa.

Segundo ele, a meta é fomentar as categorias de base por meio de intercâmbios com outros estados. O membro do departamento técnico da Pan American Baseball Confederation (Copabe), Mitsuyoshi Sato, conta que, nos últimos cinco anos de cooperação entre o governo japonês com Mato Grosso, a evolução dos atletas foi gigantesca. Para ele, a vinda do Sul-Americano foi o coroamento deste trabalho. Sato revela, ainda, que o objetivo do governo japonês é ampliar a prática do Beisebol para formação de equipes competitivas em todo o território nacional.

“Nossas referências do que seja o ápice do beisebol ainda estão muito distantes. A maioria de nossos atletas nunca viu partidas de um nível tão alto. Certamente esses momentos vão ficar na memória como um ideal a ser alcançado”, afirma. Sato comenta que está de olho em alguns atletas do Estado. A intenção dele é levá-los para a academia de Beisebol de São Paulo de onde já saíram 60 jogadores para atuar profissionalmente no mundo todo. Entre eles, André Rienzo, arremessador do Miami Marlin, que está no topo do beisebol mundial.

O técnico da Seleção Brasileira, Luis Cobas, explica que o Brasil ainda perde muito para outros países pela falta de grandes campeonatos regulares. “Nossos melhores jogadores sempre acabam sendo contratados por equipes de outros países. Precisamos de ligas mais fortes para manter eles aqui. Só assim conseguiremos uma equipe capaz de lutar de igual para igual com times da Venezuela, Cuba e Japão”.

Campo dos Sonhos.

A equipe japonesa da universidade de Nittai está realizando clínicas no mês de março em três estados no Brasil. Em Mato Grosso as aulas ocorreram em Cáceres (de 02/03 a 05/03) e Cuiabá (06/03 a 08/03). Erick Shinji Kawahara, que atua como receptor na equipe adulta de Dom Aquino e no Dodgers de Várzea Grande, conta que é um sonho estar aprendendo com jogadores do Japão. "Até alguns anos atrás era inimaginável ter este tipo de contato com eles”. O jovem explica que houve uma evolução técnica muito grande. “Nós não tínhamos conhecimento de técnicas muito avançadas. Hoje temos esse conhecimento e podemos ver o beisebol crescendo em todo o estado. É incrível”.

Para o presidente da Confederação Brasileira de Beisebol, Jorge Otsuka, o próximo passo para o esporte é a iluminação dos campos para a realização de partidas noturnas. “Não temos nenhum campo iluminado no país e para atrair a atenção dos patrocinadores isso é fundamental”. Além disso, ele falou sobre o projeto de fazer um campeonato semiprofissional. “Nosso objetivo é chegar ao Premier, mas será um passo de cada vez”.

Apoio

O XIII Sul-Americano teve o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), Prefeitura Municipal de Cuiabá e a Prefeitura Municipal de Várzea Grande e as empresas Açofer, Sushibox, Fisk, Frical, Comercial Uemura, SESI, EMIVAG e Croácia. De acordo com o secretário-adjunto da Secel-MT, Pedro Sinohara, o evento abriu muitas portas com o governo japonês tanto na área do esporte, como educação, acessibilidade e meio ambiente. “Foi um sucesso em todos os sentidos. Uma parceria que trará benefícios para todo o Estado”.