Sessão solene na ALMT homenageia integrantes do Exército e profissionais de odontologia

Mato Grosso possui apenas três bancos de leite de leite humano, dois em Cuiabá e um em Rondonópolis

Foto: MARIO ALBERTO GALVÃO OKAMURA

O fortalecimento da política de aleitamento materno e doação de leite humano foi tema da primeira reunião da Frente Parlamentar da Saúde da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, na manhã desta terça-feira (5). Atualmente, o estado conta com apenas três bancos de leite e não consegue suprir a demanda de todas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais da capital e do interior.

Médico há 40 anos e parlamentar, Dr. Gimenez avaliou as demandas trazidas pelo Banco de Leite como muito positivas para a saúde pública do estado

Foto: MARIO ALBERTO GALVÃO OKAMURA

Marli Eliane Uecker, nutricionista e técnica responsável pelo Banco de Leite do Hospital Júlio Müller, explicou que, de janeiro a setembro, foram coletados cerca de mil litros de leite humano, que atenderam prioritariamente a UTI neonatal da própria instituição. A proposta é fortalecer e ampliar o serviço para que mais bebês tenham acesso, inclusive nos municípios que são polos do interior.

“O primeiro reflexo do acesso ao leite humano é na saúde dessas crianças. O segundo aspecto é econômico, reduzindo os custos de aquisição de fórmulas artificiais pelos hospitais públicos. Números do Ministério da Saúde apontaram uma economia de 180 milhões de dólares no país com a estruturação de 211 bancos de leite, ou seja, é uma política pública preventiva e importante que deve ser valorizada”.

Em sua palestra, Marli mostrou que nascem no Brasil aproximadamente 3 milhões de bebês por ano, dos quais 332 mil são prematuros ou com baixo peso (menos de 2,5 kg). A maioria dessas crianças precisa ficar internada, por isso a doação de leite humano é importante e precisa ser incentivada socialmente. “Em Mato Grosso, poderíamos construir uma parceria para a coleta com o Corpo de Bombeiros, a exemplo de outros estados, o que vai nos oferecer apoio logístico hoje deficitário para nós”.

Marli Eliane Uecker, nutricionista e técnica responsável pelo Banco de Leite do Hospital Julio Müller, quer apoio para fortalecer o serviço e atender mais mães

Foto: MARIO ALBERTO GALVÃO OKAMURA

A nutricionista também sugeriu a implantação de um espaço, em parceria com o governo estadual e as prefeituras, para atender as mães que estão amamentando. Seria um espaço de acolhimento que ofereça suporte e apoio técnico especializado no início da amamentação. Além do HUJM e Hospital Geral, em Cuiabá, hoje, apenas Rondonópolis possui banco de leite humano. O Hospital Estadual Santa Casa pretende fazer o credenciamento.

“Nós acompanhamos a tentativa de Cáceres e Sinop em implantar, mas todas elas foram frustradas, mas acreditamos que com o apoio de instituições parceiras, como a própria Assembleia Legislativa, possamos conseguir a regionalização desse atendimento”. Marli apontou que, para colocar o serviço, é necessário um investimento inicial em torno de R$ 80 mil, pois demanda a aquisição de três aparelhos (resfriador, pasteurizador e banho-maria). No entanto, a manutenção é mais simples e o custo-benefício compensa.

Para o deputado estadual e médico Dr. Gimenez (PV), a proposta trazida pela equipe do Banco de Leite vem ao encontro do objetivo da Frente Parlamentar da Saúde da Mulher, que quer priorizar a construção de políticas públicas que promovam a prevenção a doenças, especialmente do público feminino.

“Falar em amamentação é tratar de saúde preventiva, porque ela é um dos mais efetivos e rentáveis investimentos que os países podem fazer na saúde de seus cidadãos e na futura saúde de suas economias e sociedades. Amamentar traz benefícios para os bebês e suas mães, principalmente nos primeiros meses de vida, prevenindo doenças e estimulando o desenvolvimento das crianças”, frisou o deputado.

Números do Ministério da Saúde apontaram uma economia de 180 milhões de dólares no país com a estruturação de 211 bancos de leite

Foto: JLSIQUEIRA / ALMT

O próximo tema a ser tratado pela frente parlamentar é o parto humanizado, dando continuidade ao trabalho que ocorrerá ao longo de dois anos e vai receber demandas de todos os segmentos femininos, desde a área da infância e juventude, passando por gestantes, mães e idosas. O objetivo é realizar encontros mensais, às terças-feiras, para oferecer apoio voluntário de grupos já existentes.

Números – O Banco de Leite do HUJM realizou, de janeiro a setembro, mais de 2,5 mil atendimentos a grupos, 2.183 atendimentos individuais, 1.722 visitas domiciliares, com atendimento de 1.091 doadoras, 736 receptores, 1.145 litros de leite coletados, 682 litros distribuídos e 18 litros transferidos.

No Brasil, existe a maior e mais complexa rede de atendimento do mundo, com 211 bancos de leite, 186 postos de coleta. Entre 2014 e 2016, foram repassados R$ 18,1 milhões para custeio dos serviços, enquanto a economia com a aquisição de fórmulas artificiais superou R$ 700 milhões, além de poupar gastos advindos de outras doenças nos recém-nascidos.

Apenas 23 países no mundo têm taxas de amamentação exclusiva de leite materno acima de 60%. No Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o percentual é de 39%. Ao incentivar o aleitamento materno, o estado estará contribuindo com o aumento de mães para doar aos bancos de leite.

“Houve um avanço nos últimos anos, mas podemos fazer muito mais, porque a doação de leite humano em Cuiabá ainda é muito baixa, no interior ela praticamente não existe. O lado bom é que já conseguimos chegar a todas as classes sociais e não mais apenas à periferia, pois, em função da população do parto humanizado, mais mulheres têm nos procurado e querem contribuir”, avalia Marli Uecker.

Serviço:

Os encaminhamentos e demandas sobre a Frente Parlamentar da Saúde da Mulher podem ser feitos diretamente ao gabinete do deputado Dr. Gimenez, a partir do telefone (65) 3313-6795 ou no e-mail [email protected]