Semana de Prevenção da Violência na Primeira Infância abordou necessidade de falar sobre o assunto em Rondonópolis

PF prende homem por compartilhar cenas de abuso sexual infantil
Agência Brasil

Durante a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, instituída pela lei Federal 11.523/2007 e realizada de 12 a 18 de outubro, as Secretarias Municipais de Saúde, de Promoção e Assistência Social e de Educação, além do Oratório Filhos de Dom Bosco promoveram ações para o combate desta que é considerada, conforme ressalta a Secretaria Municipal de Saúde, uma epidemia silenciosa do século XXI.

Lançando mão de recursos como filmes, rodas de conversas, peças teatrais e palestras, uma equipe multidisciplinar composta por profissionais das três Pastas abordou esse tema espinhoso e cercado de tabus com crianças e adolescentes da Rede Pública de Ensino e do Oratório Filhos de Dom Bosco.

“O objetivo da data é conscientizar a população sobre a importância da primeira infância na formação de um cidadão voltado à convivência social e à cultura da paz”, esclarece a responsável pelo Programa Viva – Sistema de Vigilância de Violência e Acidentes da Saúde – da Secretaria de Saúde, Edna Rodrigues, sobre o período de vida que vai dos zero aos seis anos de idade, e complementa: “O abuso sexual é um assunto delicado e precisamos saber como abordá-lo, já que é cercado por preconceito”.

Com foco na promoção da saúde integral da criança, no estímulo ao seu desenvolvimento a fim de que ela adquira autoconfiança, autoestima e aptidão para construir bons relacionamentos e, também, na valorização da brincadeira como atividade que deve ocupar o maior tempo da infância, as atividades buscaram alertar sobre a necessidade de falar a respeito de situações de violência sofridas e apontar maneiras de lidar com os casos de agressão.

Edna destaca que a ciência já comprovou que as experiências vividas na primeira infância influenciam diretamente a formação do adulto que a criança será no futuro. “Pesquisas demonstram que essa fase é extremamente sensível para o desenvolvimento do ser humano, pois é quando ele forma toda sua estrutura afetiva, potencial de socialização e áreas fundamentais do cérebro relacionadas à personalidade, ao caráter e condições para o aprendizado”, acentua e acrescenta: “É fundamental estimular a criança nessa fase para que ela tenha uma vida saudável e possa se desenvolver bem na infância, na adolescência e na vida adulta”.

Ela ainda enfatiza que esse processo se perpetua por toda a vida e é marcado por experiências boas ou ruins que ocorrem, especialmente, no núcleo familiar. Por isso, a profissional afirma que é primordial que os adultos estejam sempre atentos para intervir quando for identificado algum sinal de abuso a fim de evitar traumas e sequelas psicológicas e emocionais.

De acordo com Edna, todo o trabalho realizado nesta semana foi dedicado a ensinar os pequenos sobre a importância de compartilharem os acontecimentos que lhes ocorrem com adultos em quem elas confiam e que não devem se envergonhar ou guardar segredos sobre qualquer tipo de acontecimento que as incomode ou cause estranheza. “Dessa forma fica mais fácil perceber quando alguma violência ocorreu”, sublinha a profissional da Saúde, lembrando que o silencio das vítimas é mais um entrave para enfrentar o abuso sexual e, portanto, é necessário incentivá-las a falar.

Ao ouvir algum relato de uma criança sobre agressões que tenha sofrido, Edna orienta que o adulto procure o Conselho Tutelar ou a Delegacia da Criança e do Adolescente ou, ainda, ligue para a Polícia Militar no 190.