Sem transporte fluvial, crianças de comunidade ‘ilhada’ em MT faltam aula

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Pelo menos 24 crianças e adolescentes da comunidade Ilha do Piraim, no município de Poconé, a 104 km de Cuiabá, estão sem condições de ir à escola por falta de transporte fluvial. Nessa época do ano, a comunidade fica ilhada, pois muitas áreas ficam alagadas.

De acordo com a secretária de Educação de Poconé, Maria Rosa Rondon, o transporte escolar das comunidades rurais da cidade está funcionando normalmente, mas que o caso dessa comunidade é específico, pois o município não dispõe de transporte fluvial e não teria condições de implantá-lo sem a formalização de parcerias. Ainda segundo a secretária, a solução seria construir uma escola no local que ofereça educação para jovens e adultos.

Treze famílias vivem na comunidade e maioria delas depende da pesca. O pescador Gonçalo de Souza lamenta a situação das crianças que não sabem ler. “Meu sobrinho tem 11 anos e infelizmente vai crescer analfabeto. Se com 18 anos, ele resolver morar na cidade, como vai viver sem saber ler, escrever? Se precisar pegar um ônibus não vai conseguir. É triste essa situação, não queremos isso para eles”, relatou.




A jovem Gonçalina da Silva, de 19 anos, que espera o segundo filho, estudou até a 7ª série. Ela disse que não quer esse mesmo futuro para a filha, de 5 anos. “Quero que ela tenha um futuro melhor, que estude para quando crescer ser alguém na vida, mas não temos condições de ficar na cidade e aqui [na comunidade] não tem escola para fazer a matrícula dela”, disse.

Algumas famílias chegaram a se mudar da comunidade para a cidade, mas o custo financeiro para morar fora da comunidade é alto e a maioria das pessoas acabou retornando. A adolescente Jaíne da Silva que estava no 2º ano do ensino médio, sonha em ser advogada. “Minha mãe não tinha condições de me manter na cidade. Por isso, tive que voltar para a comunidade. Eu estava indo para o 2º ano e iria concluir no ano que vem”, afirmou.

Nos últimos três anos, o município recebeu R$ 579.590,31 mil do governo federal para o transporte escolar. Na última semana, o Ministério Público Estadual deu cinco dias para o município resolver o problema, mas até agora o problema não foi solucionado.