Santa Barbara apresentou Castro Mello para elaborar projeto da Arena, afirma Yuri à CPI

deputado faz cronologia das obras do vlt


O ex-secretário de Turismo e ex-diretor da Agecopa, Yuri Bastos Jorge afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa, que a empreiteira Santa Barbara apresentou a empresa Castro Mello para realizar o projeto básico da Arena Pantanal, contratado por dispensa de licitação pelo valor de R$500 mil. O depoimento foi prestado na sessão desta quarta-feira (21), que também aprovou uma nova convocação do ex-secretário da Copa, Eder Moraes, e da então secretária adjunta do Núcleo Sistêmico, Juliana Fiuza.

Conforme o ex-secretário, em um encontro com o deputado federal Homero Pereira (já falecido) em Brasília, foi apresentado a uma representante da empreiteira Santa Barbara e que através deste contato chegou a empresa Castro Mello, que foi contratada por dispensa de licitação para elaborar o projeto básico da Arena Pantanal, tendo entregado um estudo de pré-viabilidade, objeto diferente do contratado.

Para justificar comunicação eletrônica entre a Secretaria de Turismo (Sedtur) com a Castro Mello e a empreiteira Santa Barbara em dezembro de 2008, sendo que a mesma viria a vencer licitação para construção da Arena Pantanal em 2010, Yuri Bastos destacou que a empreiteira estaria auxiliando nas tratativas com a Castro Mello que se recusava a entregar o projeto sem receber do governo.

No entanto, Yuri Bastos alegou que diversas conversações foram mantidas, pois várias empresas vieram à Cuiabá e disse que houve várias conversas com construtoras e questionou se o fato de na época ter sido secretário não poderia conversar com empresas.

“Foi então que em Brasília com agenda com o deputado Homero, conheci uma senhora que não era a Olga Rita (destinatária do email em 2008) da Santa Barbara, mas que podia ajudar com indicação em projeto, sendo a empresa Castro Mello, e depois a Santa Barbara intermediou o recebimento, pois a Castro Mello queria receber antes de entregar o projeto, por isso ela estava no contato do email, depois disso nunca mais tive contato com a Santa Barbara, quando pagamos a Castro Mello e entregamos o projeto à FIFA”, garantiu.

De acordo com Yuri Bastos, não havia tempo hábil para licitar o projeto, e que sem o mesmo Cuiabá não poderia pleitear a candidatura de cidade-sede para o Mundial, sendo que outro projeto havia sido apresentado por uma empresa alemã no valor de mais de €1 milhão de Euros.

“Este valor era inviável, pois o então governador Blairo Maggi não queria utilizar os recursos do Estado, já que não tínhamos certeza se conseguiríamos ser sede, era apenas uma candidatura. Precisávamos entregar um projeto conceitual da Arena Pantanal para a FIFA em janeiro de 2009, e isso era em agosto de 2008, e não tínhamos como usar recursos sem ser sede”, justificou.

Além disso, o projeto da Castro Mello foi descartado, segundo Yuri Bastos pelo então governador Silval Barbosa, e outro projeto básico da GCP Arquitetos no valor de R$14 milhões foi contratado por dispensa de licitação. Yuri alegou que o projeto da GCP era um projeto executivo, por isso a diferença entre os valores contratados. Contudo, o objeto da contratação de ambos é a mesma: projeto básico.

“Não foi apenas a Arena que mudou o projeto, e o BRT pelo VLT, o ex-governador Silval Barbosa jogou diversos projetos no lixo, que já haviam sido pagos, e estavam com recursos previstos, de livre e espontânea vontade descartou todos estes projetos. Até acreditei que haveria a chance de perdermos a Copa do Mundo, pois não tínhamos nem Centro Oficial de Treinamento (COT), e tudo o que apresentamos à FIFA não foi feito. Se eu fosse da FIFA e tivesse votado por Cuiabá, me sentiria enganado”, explicou.

Yuri Bastos confirmou que a empresa de consultoria Deloitte esteve no Rio de Janeiro para defender a candidatura de Cuiabá como cidade-sede, antes da assinatura do contrato também por dispensa de licitação. “Já estávamos com a documentação da empresa para assinar o contrato, e por haver este comprometimento, a Deloitte nos acompanhou e estávamos muito bem acompanhados. A Deloitte se encaixa em todas as exigências e é uma empresa mundialmente conhecida, por isso a dispensa de licitação. O contrato estava sendo feito, o processo estava em andamento”, assegurou.

O ex-secretário garantiu que todos os contratos com dispensa de licitação foram legais e legítimos, com parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que foram feitos em conjunto com o Núcleo Sistêmico. “A decisão de fazer ou não era política, então o Núcleo Sistêmico montava e nós assinávamos”, alegou.