Quebra de banco americano põe à prova alta de juros nos EUA

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Valter Campanato/Agência Brasil

Quebra de banco americano põe à prova alta de juros nos EUA

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Após a falência do SVB (Silicon Valley Bank), a maior desde a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) pode baixar o ritmo dos juros na próxima reunião. Quando fechou na sexta-feira, o SVB tinha um balanço de cerca de 200 bilhões de dólares e era o 16º maior banco dos Estados Unidos.

Segundo analistas, os fortes aumentos das taxas no ano passado para combater a inflação contribuíram para enfraquecer os bancos e desacelerar a atividade econômica. Com o impacto do colapso do SVB, o cenário de alta pode mudar.

A elevação dos juros levou a taxa de quase zero, um ano atrás, para mais de 4,5%, atualmente. Para alguns especialistas, a crise do SVB pode fazer com que o Fed dê um ponto final mais baixo em seu ciclo de alta de juros.

Impacto no Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (13) que é preciso analisar os impactos da falência do SVB nas taxas de juros globais, inclusive no Brasil. Haddad disse que conversou sobre o assunto com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante o fim de semana.

“Tenho falado também com o sistema financeiro brasileiro e com os bancos brasileiros para saber qual é a percepção de risco que eles estão tendo. O que posso adiantar é que, em primeiro lugar, as informações ainda não são suficientes para sabermos o tamanho do problema”, disse.

O ministro afirmou ainda não saber se a situação resultará em alguma crise sistêmica. “Aparentemente, ainda não vi ninguém tratar desse episódio como Lehman Brothers [banco cuja falência resultou na crise financeira de 2008], mas o fato é que é grave o que aconteceu, mas o Fed agiu no final de semana. Vamos agora acompanhar isso e ver se a autoridade monetária no Brasil vai ter que tomar alguma providência em virtude dos efeitos sobre as economias periféricas, mas isso ainda não está claro.”

Confiança

Nesta segunda-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, garantiu aos americanos que seu sistema bancário “é seguro”, apensar da falência ou fechamento de três bancos em menos de uma semana e do temor de contágio que provocou a queda das bolsas na Europa.

“Os americanos podem confiar que o sistema bancário é seguro. Seus depósitos estarão lá [disponíveis] quando precisarem deles”, declarou Biden em um pronunciamento transmitido da Casa Branca após a quebra do Silicon Valley Bank.

Funcionários da administração Biden trabalharam durante o fim de semana para avaliar as consequências da dramática falência do banco, com um olhar particular sobre o setor de capital de risco e bancos regionais, disseram as fontes no início de domingo (12).

As autoridades tomaram medidas para tentar conter a desconfiança no sistema bancário do país e evitar saques em massa de depósitos, o que poderia enfraquecê-lo ainda mais.

Entre as medidas anunciadas no domingo, as autoridades vão garantir o saque de todos os depósitos do SVB. O Federal Reserve também se comprometeu a emprestar os recursos necessários a outros bancos que precisarem, de modo a atender as demandas de retirada por parte dos correntistas

Efeito no mercado

As bolsas europeias terminaram o pregão desta segunda-feira com fortes quedas, ante o temor de contágio no setor bancário.

Depois de terem começado o dia operando perto estabilidade com o anúncio da adoção de medidas excepcionais, os mercados europeus despencaram no fechamento.

Histórico

O Silicon Valley Bank era um banco californiano especializado no setor de tecnologia que tinha negócios principalmente com fundos que investem em empresas não negociadas em bolsa. Pouco conhecido do público, era o 16º banco americano em tamanho de ativos.

A instituição, que operava nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia e em Israel, oferecia serviços financeiros, entre outros, para startups, desde contas bancárias até assessoria.

O SVB sofreu com a deterioração do setor: a alta brusca dos juros nos Estados Unidos, que afeta um ramo altamente dependente de financiamento para crescer, somada às dificuldades de fornecimento de semicondutores e ao apetite fraco dos investidores pelas ações de tecnologia, marcam o fim da euforia tecnológica pós-pandemia.

O pânico teve início depois que o controlador do banco, o SVB Financial Group, anunciou que tentaria levantar 2,25 bilhões de dólares (R$ 12,9 bilhões). O grupo vendeu rapidamente um portfólio de 21 bilhões de dólares (R$ 109 bilhões) em títulos financeiros, com um prejuízo estimado de 1,8 bilhão de dólares (R$ 9,3 bilhões).

O SVB buscava fortalecer suas finanças, enfraquecidas pelas retiradas de clientes. Segundo o canal especializado em economia CNBC, o banco não conseguiu obter o capital necessário e negociava a sua venda para outra instituição bancária antes do anúncio das entidades reguladoras.

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