Projeto pioneiro em Mato Grosso reúne produtores do Bioma Pantanal


O Sistema Famato foi anfitrião do I Encontro de Produtores Rurais do Bioma Pantanal, que participam do projeto Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS). A iniciativa é resultado da parceria firmada entre a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), Embrapa Pantanal (MS) e a Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat). O evento aconteceu no auditório da Famato, em Cuiabá, nesta terça-feira (10/12).

O projeto FPS é uma ferramenta elaborada para mensurar o nível de sustentabilidade presente em propriedades rurais do Bioma Pantanal. “O projeto vai contribuir para avaliar as variáveis ambientais, econômicas e sociais das propriedades rurais, além de sugerir boas práticas de manejo que resultarão no aperfeiçoamento da sustentabilidade da área”, apontou a gestora do Núcleo Técnico da Famato, Lucélia Avi.

A implantação do FPS é inédita e será executado em cinco anos. Fazem parte do projeto piloto, quinze propriedades rurais localizadas nos municípios de Cáceres, Poconé, Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leverger. “Isso nunca foi feito no Pantanal e esse tipo de ação só é possível com a integração dos atores envolvidos. Nesse período de cinco anos, as propriedades rurais que atingirem um determinado grau de sustentabilidade deverão receber uma classificação diferenciada, que servirão de modelo para as demais propriedades do pantanal”, explicou a zootecnista e pesquisadora da Embrapa Pantanal, Sandra Santos.

O projeto Fazenda Pantaneira Sustentável, de acordo com a pesquisadora Sandra, começou há 15 anos, por um grupo multidisciplinar da Embrapa, que almejava mensurar a sustentabilidade do Pantanal. “Queríamos abranger as dimensões da sustentabilidade social, ambiental e econômica. Levantamos muitos dados tanto em áreas nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Publicamos esse trabalho, entretanto ficaram apenas no papel. Até que vocês acreditaram no projeto e compraram essa ideia. Vocês estão sendo pioneiros nessa implantação da FPS”, discursou Sandra Santos.

Para o gestor do Senar-MT, Guto Zanata, a execução do projeto é uma junção de forças. “Quando conseguimos unir forças, consequentemente alcançaremos bons resultados. Quando pensamos nesse projeto, nos colocamos na mesa como aprendizes. Nós precisávamos entender o Pantanal, a sua realidade, e a Embrapa trouxe tecnologias que já vinham sendo desenvolvidas e agora estão sendo colocadas em prática no campo e, com isso vamos conseguir replicar a todos os produtores com área no bioma Pantanal mato-grossense”, disse Guto Zanata.

O zootecnista Miquéias Michetti, do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) fez a apresentação dos resultados zootécnicos das fazendas do projeto. E o economista Emanuel Salgado, também do Imea apresentou os resultados econômicos.

Os técnicos do Imea discorreram sobre o cenário da pecuária no estado, a realidade dos números do Pantanal e da Bovinocultura na região, abrangência da pesquisa realizada pelo Imea, os objetivos do projeto, metodologia zootécnica adotada, custo de produção e, entre outros.

A pesquisadora da Embrapa, Sandra Santos exibiu o diagnóstico das quinze propriedades inscritas no projeto. Falou das metodologias de pesquisas, software, viabilização regional, políticas públicas da região pantaneira, aptidão produtiva das fazendas, indicadores, aspectos, e entre outras. Já o pesquisador, Walfrido Moraes Tomas falou sobre a evolução da biodiversidade no Pantanal

Na oportunidade os analistas de Meio Ambiente, Laura Rutz e de Assuntos Trabalhistas e Tributários, Thiago Moraes, tiravam dúvidas e esclareceram assuntos de interesse dos produtores. Na área ambiental, Laura falou sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Autorização Provisória de Funcionamento (APF), infrações, autuações e áreas de uso restrito. Já o analista tributário falou sobre a Nota Fiscal Eletrônica, Funrural e Certidão Negativa de Débitos.

Também participaram os presidentes de sindicatos rurais, Jeremias Leite (Cáceres), Arlindo Márcio de Moraes (Poconé), Antonio Carlos Carvalho de Sousa (Santo Antônio do Leverger), o mobilizador do Sindicato Rural de Itiquira, Elvis Pedroso da Silva, o coordenador de Assistência Técnica e Gerencial do Senar-MT, Armando Urenha, o analista de Pecuária da Famato, Marcos de Carvalho, gerente de Relações Institucionais da Acrimat, Nilton Mesquita, do Senar-MT os técnicos Hernnann Faria, Lévender Mattos, Vitor Hugo Tadano Padilha e o supervisor Marcelo Nogueira.