Priscila Nocetti faz alerta aos jovens após infarto aos 38 anos

Reprodução/Instagram



Priscila Nocetti, de 38 anos, teve a vida ”chacoalhada” no dia 1º de fevereiro. Hipertensa há 12 anos — desde a gestação de Yasmin, de seu casamento com Rômulo Costa, ela estava assistindo a um filme com a filha e as afilhadas quando se sentiu ‘estranha’. ”Na véspera, dia 31 de janeiro, foi aniversário de 12 anos da Yasmin, recebi uns amigos em casa e não tomei o remédio para a pressão. Estava cansada, tinha passado a semana resolvendo material e tudo mais para a volta às aulas da Yasmin e resolvi descansar”, lembra, durante conversa com a Quem.

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Depois de assistir ao filme com as meninas, Priscila colocou as três no banho e, enquanto as esperava, resolveu pedir comida japonesa através de um aplicativo no celular. ”Mas comecei a sentir uma dor muito diferente, bem centralizada no peito, e uma pressão, como se tivesse batido em algum lugar. Meu irmão estava na sala e o Rômulo já estava deitado. Então subi e tomei banho, mas meu braço esquerdo começou a doer também. Fui até o quarto, peguei o AAS (ácido acetilsalicílico), mastiguei e coloquei um remédio de pressão embaixo da língua. Quando tentei verificar minha pressão, vi que estava mais de 20. Chamei o Rômulo e pedi que ele me levasse em uma emergência porque estava sofrendo um infarto”, diz.

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Embora seja hipertensa desde a gravidez, Priscila não estava se cuidando adequadamente.  ”A gente nunca acha que vai acontecer alguma coisa e eu esquecia de tomar o remédio da pressão. Fiquei uns dois anos sem ir ao cardiologista, achando que estava tudo bem, já que vivo uma vida tranquila, não fumo, não uso nada ilegal, não sou sedentária, não estou com sobrepeso, mas a hipertensão é uma doença crônica e silenciosa. Minha mãe é hipertensa, meus irmãos e meu pai, que já faleceu e teve 5 AVCs (Acidente Vascular Cerebral)”, afirma.

Chegando ao hospital, Priscila já avisou que estava infartando. ”Moro do lado do hospital. E já cheguei me queixando de dor torácica, me deitaram e minha pressão estava 24 por 17. Me deram mais AAS e começaram a estabilizar a minha pressão. A dor ainda era forte, comecei a ter enjoo também. Fizeram eletro e exame de sangue e foi constatado infarto no miocárdio. Fui para a UTI e pela manhã fui submetida a um cateterismo”, conta.

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MILAGRE

Priscila foi submetida ao cateterismo e o procedimento foi muito bem-sucedido. ”Não precisei de stent, nada. Só orava e pedia a Deus para liberar a cura sobre mim. À tarde fiz um eco (ecocardiograma) para verificar se havia alguma sequela no coração. Foi então que o médico voltou com o resultado e falou: ‘foi um milagre! Nada foi atingido”’, recorda, revelando que só então teve a real noção da gravidade do quadro. ”Quando o médico falou em milagre que a minha fica caiu e vi que poderia ter morrido. Na hora pensei na minha filha e fiquei um pouco tensa, me deram até um ansiolítico”, acrescenta.

Cheia de fé, ela acredita que Deus a salvou. ”Deus é perfeito em tudo o que faz. Primeiro me deu sabedoria para ler muito sobre tudo, especialmente primeiros socorros, ficar calma e usar a medicação emergencial e depois para deixar intacto o meu coração de qualquer sequela. Meu médico, Dr. Júlio Tolentino, falou que agora é vida normal. Ele me disse: ‘Priscila, a partir de hoje a esolha é sua: comer bem e se cuidar para viver bem. Deus te deu mais uma oportunidade’ Tenho certeza de que o que aconteceu comigo foi um milagre de Deus, um livramento”, afirma.

Priscila diz que está bem surpresa com o retorno das pessoas desde que tornou público o infarto (em um dia, ela ganhou mais de 10 mil seguidores). ”Estou ouvindo muitos casos parecidos. Imaginei que meu caso fosse isolado, mas tem muitos jovens hipertensos que já infataram e jovens depressivos que já passaram por um quase infarto e têm medo de morrer. Sempre digo que a cabeça é muito importante em qualquer emergência médica. A doença impressiona muito. Minhas amigas choraram demais quando souberam do meu infarto e eu mantive a calma. A moda tem que ser qualidade de vida e saúde em primeiro lugar”, diz.

ENTENDA

Normalmente, a hipertensão é definida como a pressão arterial acima de 14 por 9 e é considerada grave quando a pressão está acima de 18 por 12. Em geral, a pressão arterial elevada não tem sintomas. Ao longo do tempo, se não for tratada, poderá causar problemas de saúde, como doenças cardíacas e acidente vascular cerebral. Adotar uma dieta saudável com menos sal, praticar exercícios físicos regularmente e tomar medicamentos pode ajudar a baixar a pressão arterial.

Um ataque cardíaco é uma emergência médica. Geralmente, ocorre quando um coágulo bloqueia o fluxo sanguíneo para o coração. Sem sangue, o tecido perde oxigênio e morre.
Os sintomas incluem sensação de aperto ou dor no peito, no pescoço, nas costas ou nos braços, bem como fadiga, tontura, batimento cardíaco anormal e ansiedade. As mulheres são mais propensas a apresentar sintomas atípicos do que os homens. O tratamento varia de mudanças no estilo de vida e reabilitação cardíaca a medicamentos, endopróteses e cirurgia de bypass.

O cateterismo é um exame invasivo que pode ser realizado de forma eletiva, para confirmar a presença de obstruções das artérias coronárias ou avaliar o funcionamento das valvas e do músculo cardíaco – especialmente quando está sendo programada uma intervenção (angioplastia, por exemplo) – ou em situações de emergência, para determinar a exata localização da obstrução que está causando o infarto agudo do miocárdio e planejar a melhor estratégia de intervenção.