Pesquisadores da UFMT utilizam pardais para analisar nível de poluição

pesquisadores da ufmt utilizam pardais para analisar nível de poluição

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Rondonópolis, município a 218 km de Cuiabá, estão utilizando pardais para medir o nível de poluição na cidade. O intuito dos acadêmicos é sensibilizar a sociedade e o poder público em relação ao problema da contaminação atmosférica por gases poluentes.
O estudo é realizado por alunos do curso de biologia da instituição e conta com a coordenação do biólogo e mestrando em geografia Deleon Silva Leandro e orientação do doutor em ecologia Fábio Angeoleto e do doutor em biologia pela Universidade de Madrid (Espanha) José Ignacio Aguirre.
Os acadêmicos capturam os pássaros por meio de uma rede de neblina que tem dois metros de altura e doze de comprimento. Um dos pontos de fixação da rede é o Horto Florestal, um parque daquele município.
Para capturar as aves, as armadilhas são colocadas por volta das 6h da manhã. Depois de pouco mais de uma hora, os pássaros caem na rede e são retirados, cuidadosamente. Os animais são marcados para a identificação por um lacre, passam por uma biometria, onde todas as medidas do corpo são anotadas e, em seguida, uma pequena amostra de sangue é coletada para análise. Depois desse processo a ave é solta.
O docente Fábio Angeoleto explicou que os animais são apropriados para esse tipo de pesquisa por causa do seu comportamento natural.
“Pardal é uma espécie sedentária e o raio de deslocamento dele é de no máximo 1 km. Então, os que nasceram no horto ou próximo dessa região, por exemplo, vão viver a vida inteira no local. Se a poluição estiver chegando aqui, vai haver uma alteração na fisiologia do pardal e a gente vai detectar pelos exames de sangue que a gente vai fazer em laboratório”, explicou.
O trabalho está sendo feito também com uma espécie vegetal chamada de oiti. O estudo da árvore, que é enquadrada como um bioindicador de níveis de poluição atmosférica, já mostrou sinais que Rondonópolis passa por um sério problema de contaminação do ar, de acordo com o professor Deleon Silva Leandro.
“Nós já fizemos um diagnóstico qualitativo das amostras de folha de oiti onde já foi possível observar uma grande alteração do ambiente em parques industriais aqui na cidade e vias de grande movimentação. É possível afirmar que as plantas já estão manifestando alterações como necrose das folhas e clorose, que é o amarelamento das folhas”, afirmou.
O pesquisador Fábio argumentou que o trabalho tem como missão demonstrar a importância de trabalhos em relação a ecologia e a manutenção do meio ambiente.
“Nós já podemos afirmar que a poluição é um dos graves problemas de Rondonópolis. E um dos nossos objetivos é demonstrar para a sociedade e para prefeitura que o problema existe e que deve ser enfrentado de alguma maneira”, defendeu.
A previsão é que a pesquisa seja concluída até dezembro de 2017. Para analisar algumas variáveis, as análises deverão ser realizadas em períodos de chuva e de estiagem.