Pelo 2º dia, indígenas de MT cobram pedágio de até R$ 50 em rodovia

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Indígenas da etnia Nhambiquara bloqueiam pelo segundo dia trecho da BR-174, no município de Comodoro, a 677 km de Cuiabá, para cobrar pedágio de R$ 25 pela passagem de carros pequenos e de R$ 50 pela de caminhões. Com galhos de árvores e até mesmo arcos e flechas, eles impedem a passagem dos veículos pelo local sem que seja pago o pedágio.

A expectativa é conseguir cerca de R$ 500 mil para encascalhar as estradas de acesso às aldeias da região e, de acordo com o presidente da Associação dos Povos Indígenas Nhambiquara da Reserva Ecológica (Apinare), Anael Nhambiquara Halotesi, já foi arrecadada a metade do valor almejado.

A interdição começou no início deste domingo (19), data em que se comemora o Dia do Índio, e segue até esta segunda-feira (20). Durante a noite, os indígenas não deram trégua e continuaram a cobrar pedágio, na trecho do km 511.

A recomendação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) é que os motoristas registrem boletim de ocorrência na delegacia mais próxima pelo crime de extorsão depois de pagar pedágio. Os agentes da PRF estão monitorando o bloqueio e orientando os motoristas sobre a situação. No entanto, o uso da força física só ocorre quando existe determinação judicial ou em caso de violência ou confronto.

Com o período de chuva, as estradas ficaram praticamente intransitáveis, segundo o líder indígena. As más condições da rodovia têm prejudicado, principalmente o transporte das crianças para a escola. "Tem lugares em situação muito crítica. Não vamos jogar cascalho em toda a rodovia, só nessas partes com mais buracos", afirmou.

Antes de a comunidade decidir pela cobrança de pedágio na rodovia, Halotesi explicou que vários ofícios foram encaminhados para a Prefeitura de Comodoro pedindo que fosse dado manutenção nas estradas de terra, mas, conforme ele, nada foi feito até agora. "Não queremos conflito, só que estamos passando por um momento difícil. Estamos desassistidos pelo município", reclamou o presidente da associação. O G1 tentou entrar em contato com a prefeita de Comodoro, Marlise Marques, mas ela não atendeu às ligações.

No recibo de pagamento, os índios fazem um alerta que, em caso de perda do comprovante, será cobrada a taxa novamente. "Obrigatória a apresentação deste [recibo] no retorno. Em caso de perda, será cobrada a taxa novamente", diz a mensagem.

Nas 32 aldeias da etnia Nhambiquara daquela região vivem 2.340 indígenas, divididos em dois grupos: Cerrado e Vale do Guaporé.

Outra forma de obter o recurso financeiro necessário para as obras de infraestrutura nas comunidades seria a liberação da construção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), no Rio Juína, que fica nos limites das terra indígena dos povos Nhambiquara. Segundo a liderança, a comunidade receberia uma quantia em dinheiro como forma de compensação pelo uso dos recursos naturais da área.