O que as fabricantes de moto estão fazendo para convencer você

o que as fabricantes de moto estão fazendo para convencer você



O ano de 2011 foi o ponto alto nas vendas de motocicletas no Brasil, nada menos do que 2,04 milhões delas saíram das lojas para as mãos de felizes consumidores. Este número grandão não só demonstrava um bom momento de nossa economia como os acertos dos investimentos feitos especialmente em Manaus, que, desde meados da década de 1970, abriga o grosso de indústria motociclística.
Daquele belo momento para o atual, um triste e cinza "inverno" se abateu sobre o mercado de motos brasileiro: das mais de 2 milhões de unidades vendidas passaremos a, talvez, 1,3 milhão no fechamento de 2015, se o ritmo de vendas se mantiver. Mas há quem diga que uma piora ainda maior estaria delineada no horizonte dos meses que restam deste duro 2015.
Altos e baixos fazem parte de qualquer atividade. Porém, a marcha a ré dos últimos anos foi brutal demais, e fez o setor retroceder praticamente uma década: voltaremos aos números de vendas de 2006, o que, para a indústria de motos e toda a cadeia de atividades que dela depende, representa um problema enorme.
Mais variedade
Qual o tipo de reação é possível a este cenário sombrio para uma atividade que, em certos momentos da última década, cresceu mais de 20% ao ano? Talvez a melhor resposta seja continuar fazendo sua parte, e bem feita.
Um observador mais atento não terá dificuldades em perceber que, em vez de sentar nos louros da vitória, a indústria da motocicleta no Brasil fez uma bela lição de casa de 2006 para cá.
A oferta de modelos cresceu, proporcionando aos clientes a oportunidade escolha variada. E a tecnologia empregada evoluiu muito, seja pela necessidade de atender exigentes normas antiemissões de poluentes e condições de utilização difíceis como para alinhar a volumosa produção ao que de melhor se faz em todas as partes do globo. Sólido, moderno e eficaz, o produto "made in Manaus" poderia ser vendido em qualquer parte do planeta sem fazer feio.
De 2006 a 2015, a linha se qualificou e se diversificou. Dez anos atrás as duas principais empresas do setor, Honda e Yamaha, produziam 30 modelos de motos diferentes, hoje é o dobro disso.
E se, anteriormente, uma nova motocicleta lançada em mercados internacionais como Europa ou EUA demorava anos para ser introduzida no Brasil, hoje este prazo caiu para meses. Exemplos recentes são a Yamaha YZF-R3 e as Honda CB 500 e CBR 500.
Modelos mais qualificados
Aliás, estes dois modelos exemplificam bem a determinação de reagir à marcha a ré do setor. Os modelos utilitários como a Honda CG e sua rival Yamaha YBR sempre foram e serão os responsáveis pelo grosso da venda, lógico. Mas, tendo em vista que não foi a falta de vontade do povo de comprar motociclietas que determinou a queda nos emplacamentos, e sim o crédito cada vez mais escasso, oferecer modelos mais qualificados e que, na teoria, dependem menos de financiamento é uma estratégia clara.
Para as utilitárias a "lei" é incentivar venda por consórcio e fazer os braços financeiros das fábricas. O Banco Honda, por exemplo, atuar mais agressivamente em parceria com as concessionárias, deixando quem entra na loja difícilmente sair a pé.
Os quatro últimos meses de 2015 serão marcados por uma verdadeira guerra pelo cliente. Gigantes como Honda e Yamaha, assim como pequenos produtores de modelos de nicho, como a recém-chegada KTM ou a Triumph, estarão ativos como nunca para atrair clientes.
O salão vem aí
Uma forte leva de novidades é aguardada em um movimento que terá seu ápice na capital paulista, onde na segunda semana de outubro próximo será realizada a principal feira do setor, o Salão Duas Rodas.
Voltar aos bons tempos é a palavra de ordem, enfim, e, se a economia do país não colabora, as fabricantes estão se encarregando de fazer tudo o que estiver a seu alcance para que o forte investimento feito na produção e distribuição não se perca. Tudo isso, apesar do dólar nas alturas e da escassez de crédito, valerá a pena para sustentar a clara opção dos brasileiros pela motocicleta.