O propósito nos faz vencer




De uns meses para cá houve uma explosão no uso de substantivos tais como quarentena, reclusão, aquartelamento, confinamento, cárcere, dentre outros. Tudo isso para dizer que devemos permanecer dentro de nossos lares – isso para aqueles que podem ou possuem.

Na antiguidade o encarceramento, se apresentava como emprego do ato de aprisionar não como caráter da pena, e sim como garantia de manter o indivíduo – e nos dias atuais também o cidadão – sob o domínio dos que tinham o poder de tutela.

E por coincidência, ou não, foi em Roma, na Itália que foi construído o Hospício de São Miguel, a primeira instituição destinada a reclusão de menores desobedientes. Desobediência. Nos faz lembrar de algo?

Em razão de uma doença, estamos vivendo a pandemia da sopa de letrinhas: da Covid-19, do Sar-CoV-2 e do coronavírus. Segundo a Biblioteca Virtual de Saúde, o correto é utilizar o nome Covid-19, pois Covid-19 é a doença, Sar-CoV-2 é o vírus e coronavírus é a família de vírus a que ele pertence.

Para combatermos tantas letras devemos desenvolver a obediência, a paciência, a coragem para enfrentar o novo e a resiliência. Resiliência, inclusive, para praticar o lockdown, que é a proibição das pessoas de saírem às ruas.

A Covid-19 chegou e com ela trouxe-nos o dever de refletirmos sobre uma série de situações que antes dizíamos não ter tempo para tal. Agora estamos tendo tempo de sobra. Aqueles que podem, adotam o home office e assim tem mais tempo para refletir junto à família; os que não adotaram o trabalho em casa, também estão tendo tempo para reflexões, pois de certa maneira a rotina de trabalho foi modificada.

Nessa altura do campeonato se pararmos para verdadeiramente pensar, que diferença faz sermos, financeiramente, rico ou pobre, termos o carro do ano ou a bicicleta ou até mesmo nenhum dos dois veículos? A doença pode chegar para qualquer um.

São em momentos como esse que temos a certeza de que somos filhos de um mesmo pai e que estamos nesse planeta somente de passagem. A preocupação com a doença é tamanha que até as igrejas e templos estão fechando as portas, ou seja, estão sendo obedientes e destemidas, tudo isso com o objetivo de neutralizar a pandemia.

Mesmo sem quer, ao enclausurarmos em nossos lares estamos praticando a espiritualidade, pois estudos tem demostrado que a espiritualidade impacta sobremaneira na imunidade das pessoas. Atualmente o que mais precisamos é de imunidade.

A espiritualidade a que me refiro não é em relação a religiões e doutrinas, mas sim, no sentido do perdão, do bom humor, da alegria, da leveza de pensamentos, da autoestima, do trabalho em equipe e de se preocupar com o próximo. Para com isso, ao praticarmos a espiritualidade nós possamos compreender as nossas limitações e as do próximo, sem jamais perder a fé e a esperança.

Sabemos que o novo as vezes nos assusta, neste caso, o novo é a Covid-19, é o home office, é a reaproximação com a família. Não devemos ter medo de encarar os projetos e missões que nos é imposto. Sempre tendo em mente que coragem não é a ausência do medo, mas sim a capacidade de seguir em frente.

Caso contrário, nos enquadraríamos na fábula do rato onde diz que um rato vivia angustiado com medo do gato, por isso um mágico o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo de cachorro, assim o mágico o transformou em pantera. Então ele começou a ter medo dos caçadores. Por fim, o mágico transformou-o em rato novamente e disse: – Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um rato.

Enfim, que possamos manter a coragem, a fé e a esperança e assim como o personagem bíblico Jó, que mesmo após perder tudo o que mais gostava, inclusive, bem materiais em momento algum deixou-se abater pela desesperança e ao final foi recompensado por Deus que lhe devolveu em dobro tudo que tinha perdido.

Claiton Cavalcante é Contador.