O impacto do novo coronavírus nos tratamentos oncológicos

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O novo coronavírus impactou diretamente na busca e continuidade por tratamentos médicos nos hospitais, inclusive nos casos de pacientes oncológicos, que estão no grupo de risco desta síndrome respiratória aguda grave, que se tornou pandêmica.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de 309.750 novos casos de neoplasias em homens e 316.280 em mulheres em 2020 no Brasil.

A gravidade aumenta porque muitas pessoas com algum sintoma que deveria ser avaliado podem não procurar os hospitais a tempo por medo de se contaminar.



No primeiro impacto da Covid-19 no país, exames, consultas e cirurgias que foram consideradas procedimentos eletivos – portanto, não urgentes – foram cancelados.
Por isso, o ideal é se informar sobre como se manter e receber tratamento em segurança, mas não interromper o contato com o médico e os procedimentos necessários.

Não abandonar o tratamento

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que tratamentos continuados não podem ser interrompidos, sob pena de colocarem em risco a vida dos pacientes. Entre eles estão o diagnóstico e as terapias em oncologia.

Os pacientes não devem parar o tratamento porque a interrupção ou o atraso pode ser prejudicial, colocar em risco a cura ou controle da doença. Todas as etapas devem ser discutidas com o médico responsável pelo caso.

Geralmente, são considerados alta prioridade – que não podem esperar – os pacientes recém-diagnosticados com algum tipo de câncer ou que necessitam de cirurgia ou estão recebendo tratamento sistêmico e os casos mais avançados onde há risco de perder a vida.

Aqui estão incluídos o tumor com comportamento mais agressivo e mais rápida progressão, como a maioria dos casos de câncer de pâncreas, fígado e vias biliares, estômago, cólon e reto, pulmão, ovário avançado, endométrio avançado e melanoma.

Podem esperar aqueles que possuem um intervalo na realização entre etapas do tratamento, mas sem exceder o tempo máximo na pausa. E os que podem aguardar, com monitoramento pelo especialista, são aqueles que passaram pelo tratamento ou estão em acompanhamento.

Manter exames e consultas agendados

O Inca também orientou as precauções a serem adotadas no dia da consulta. Uma delas é ir somente um acompanhante, se possível, com menos de 60 anos e que não apresente sintomas de resfriado ou gripe.

Tentar manter distância de outras pessoas, mesmo da equipe de saúde e não ficar perto de outros pacientes. Não circular pelo hospital e nem permanecer no local de tratamento por mais tempo do que o necessário.

As indicações gerais são de higienização das mãos com álcool gel, não tocar o rosto, os olhos ou a boca. O uso de máscara cobrindo nariz e boca também deve ser respeitado.
Ainda deve-se cobrir nariz e boca com lenço ao tossir ou espirrar. Se não for possível, usar o antebraço como barreira. Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, talheres, pratos e garrafas complementam as orientações preventivas.

Outra opção é a telemedicina, autorizada pelo Ministério da Saúde de forma excepcional e temporária. Enquanto a pandemia persistir, os setores público, suplementar e privado podem praticar a distância o atendimento de suporte assistencial, consulta, monitoramento e diagnóstico.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) considera que a medida garante que paciente e médico não sejam expostos ao risco e mantenham o atendimento, seguindo as regras determinadas pela portaria 467 de 20 de março deste ano.

Estabelecer um ambiente seguro

Uma série de recomendações aos hospitais e clínicas particulares e públicas foi reunida em um documento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e em uma nota técnica do Inca.

A Rede D’Or São Luiz está entre as instituições que estabeleceram fluxos separados para receber e tratar os pacientes com sintomas ou com o diagnóstico de Covid-19: do pronto atendimento à internação, incluindo elevadores específicos.

As equipes que os atendem não podem circular em outros andares e devem usar o equipamento de proteção individual (EPI).

As salas de espera – para Covid-19 ou não – devem ser monitoradas para não haver aglomerações e que a distância seja respeitada entre as pessoas, além da limitação para entrada de acompanhantes.

Assim, quem estiver precisando de atendimento por outro motivo pode recebê-lo de forma mais segura.

As consultas devem ser agendadas com antecedência e o retorno já marcado para evitar que o paciente precise sair de casa para isso. Se a pessoa apresentar sintomas da Covid-19, deve avisar e solicitar o reagendamento.

A importância do diagnóstico precoce

Segundo as estimativas da Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica, em abril, 70% das cirurgias de câncer foram adiadas. Pelo menos 70 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados entre março e o fim de maio deste ano.

O prognóstico pode ser mais favorável se o tumor for detectado antes mesmo da pessoa apresentar algum sintoma. Por isso, todos os anos, várias campanhas especiais – Outubro Rosa, Novembro Azul, por exemplo – incentivam a necessidade de buscar a prevenção.

A orientação é de fazer os exames com frequência, especialmente se tiverem histórico familiar ou algum fator de risco, como o tabagismo.