Mulheres em tratamento contra câncer participam do Dia da Beleza

Dia da Beleza, no Hospital Universitário de Brasília - Foto: TV Brasil

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que o número de mortes devido o câncer de mama no país é baixa, em relação a outros países. O Brasil está situado na segunda faixa mais baixa com uma taxa de 13 por 100 mil habitantes, ao lado de países desenvolvidos como EUA, Canadá e Austrália, e melhor do que alguns deles, como a França e o Reino Unido. Mas, a faixa de incidência ainda se encontra alta. Nesse caso, a taxa é de 62,9 casos por 100 mil.

“O fato de a taxa de incidência ser relativamente alta e a de mortalidade ser relativamente baixa mostra que o nosso sistema de saúde está salvando muitas vidas. Mas temos imensos desafios pela frente”, afirma Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A mortalidade por câncer de mama está ligada principalmente ao acesso a diagnóstico e tratamento adequado no tempo oportuno. O objetivo do Ministério da Saúde é diagnosticar o câncer o mais precocemente possível, ainda nos estágios iniciais da doença, quando o tratamento é mais efetivo.

Ação no Distrito Federal 

Ludmila Lima, dona de casa e paciente do HUBHá seis meses a dona de casa brasiliense Ludmila Lima, de 30 anos, iniciou o tratamento contra um câncer de mama. Nesta segunda-feira (14) mais uma vez ela foi ao hospital, mas não para uma sessão de quimioterapia. Ludmila e outras mulheres, que durante o tratamento enfrentam o desafio de perder os cabelos e a sobrancelha, estiveram no Dia da Beleza, no Hospital Universitário de Brasília (HUB), para fazer maquiagem, participar de oficina de lenço e receber perucas.

A atividade para recuperar a autoestima das pacientes faz parte da mobilização do Outubro Rosa, mês dedicado à prevenção do câncer de mama.

Ludmila Lima contou que após ser atendida pela equipe de beleza se sentiu renovada. “Vou sair daqui muito mais feliz, renovada. Na minha casa eu não tinha vontade de me maquiar, me arrumar, por conta da situação que passei. Me senti bonita”, disse ela.

A coordenadora da Liga de Combate ao Câncer da Universidade de Brasília (UNB), Paula Diniz, explicou que o evento ocorre há oito anos e, além de trabalhar a autoestima das mulheres, é uma oportunidade para que elas se conheçam, troquem experiências e formem uma rede de apoio.Paula Diniz, coordenadora da Liga de Combate ao Câncer da Universidade de Brasília

“É um dia muito importante, dia de reiterar a autoestima, a beleza própria que cada uma tem, independente do que passou, independente de estar com cabelo ou não. E também de valorizar os esforços e reconhecer toda a trajetória que o câncer traz. O câncer traz um crescimento pessoal muito grande”, afirmou.

A psicóloga e chefe da unidade de oncologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Jusciléia Souza, disse que o evento permite que as mulheres se sintam mais acolhidas no ambiente hospitalar. “Esse evento é quase uma comemoração da vida e da luta que elas têm aqui dentro. O Outubro Rosa é para sensibilizar as pessoas a fazer o diagnóstico precoce e melhorar a qualidade dos tratamento oferecidos”, defendeu.

Jusciléia Souza, psicóloga e chefe da unidade de oncologia do Hospital Universidade de Brasília.

Câncer de Mama

Esse é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele. Atualmente, responde por cerca de 28% dos casos novos de câncer em mulheres, de acordo com o Ministério da Saúde.

No país, entre janeiro e julho de 2019, já foram realizadas 26.378 mil cirurgias de câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). Também no mesmo período foram feitas 2,3 milhões de mamografias no SUS.

O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento do câncer de mama a cada dois anos, para mulheres entre 50 e 59 anos.

Quais os sintomas da doença?

O mais comum é o aparecimento de nódulo no seio, geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja; alterações no mamilo e saída espontânea de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região das axilas.

Como é feito o diagnóstico?

Um nódulo ou outro sintoma suspeito nas mamas deve ser investigado. Além do exame clínico, podem ser recomendados exames como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. A confirmação só é feita por meio da biópsia, técnica que consiste na retirada de um fragmento do nódulo para análise.

Tratamento

Para o tratamento de câncer de mama, o SUS oferece todos os tipos de cirurgia, como mastectomias, cirurgias conservadoras e reconstrução mamária, além de radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos.

Outubro Rosa

Neste ano, a campanha Outubro Rosa, reforça três pilares estratégicos no controle da doença: prevenção primária, detecção precoce e mamografia. O mote é “Cada corpo tem uma história. O cuidado com as mamas faz parte dela”.