MTI fica e Mato Grosso vai pra frente!

O diálogo é sempre o melhor caminho. Ouvir todos os lados envolvidos em uma discussão é, sem dúvida, a melhor forma para dirimir problemas e encontrar soluções. Nos últimos dias, uma verdadeira guerra midiática proposta pelo governador Mauro Mendes tem levado a público informações descontextualizadas que colocam a Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) na berlinda dos problemas financeiros do estado. Sabemos que isso não é verdade: a crise econômica é fruto da irresponsabilidade administrativa e da corrupção deslavada que contaminou o poder executivo e que cresce ano a ano.
Incentivos fiscais foram concedidos aleatoriamente para empresas superavitárias e oportunistas evitando a entrada de milhões de reais nos caixas do governo: um câncer provocado pelas mais diversas indústrias, como a cervejeira e até mesmo por companhias como a Bimetal, do atual governador. Esta chegou, inclusive, a entrar em recuperação fiscal mesmo tendo deixado de contribuir para o estado por muito tempo. Jogar a culpa do caos nas costas das empresas públicas é no mínimo irresponsável.
Para entender o funcionamento da MTI, por exemplo, é importante diferenciarmos quem a governa de quem a gerencia. A gestão cabe a representantes indicados pelo próprio governo que fazem parte do Conselho de Governança ou de Administração. Este indica as diretrizes e políticas de negócio definindo prioridades monitorando, cobrando e avaliando os resultados produzidos pela Diretoria a quem cabe a gerência da empresa.
Muitas vezes estes conselhos passam à deriva de suas responsabilidades provocando um verdadeiro caos no direcionamento estratégico da organização, daí os problemas estruturais e econômicos. A descentralização de serviços e da compra de produtos, por exemplo, desorganizada qualquer empresa. Isso ocorre na MTI dando a impressão de que a mesma pareça improdutiva; o que pode ser corrigido por gestores com foco na Tecnologia da Informação.
Para se ter uma ideia da bagunça provocada pela falta de gestão vários órgãos do governo compram equipamentos e gerenciam seus sistemas sem o aval da MTI; o que não poderia acontecer, mas acontece a contra gosto de seus servidores. Além disso, muitos destes trabalhadores estão cedidos para outros órgãos diminuindo o bom andamento dos trabalhos. É preciso pulso forte e um mínimo investimento financeiro para acabar com estruturas paralelas e deixar sob guarda da MTI todas as aplicações e sistemas estatais.
Pergunto ao governador: quanto custa a paralização de um sistema corporativo ou especialista de um órgão como o Detran, a Sefaz ou a Secretaria de Segurança Pública? E o desmonte de vários deles? Já pensou no prejuízo provocado pela invasão de hackers?  A MTI primou pela manutenção e segurança de seus sistemas e também daqueles produzidos por outras empresas e utilizados pelo estado. O governo quer o desmonte da empresa, mas ao mesmo tempo “suplica” que a MTI cuide de escalonar a folha de pagamento dos servidores já que o sistema adquirido de terceiros não funciona!
Muitas vezes ouve-se dizer que tal sistema está parado ou “lento” e que a culpa é da MTI. A verdade é que problemas internos provocados pela falta de investimentos em infraestrutura básica têm impedido a prestação de serviços de qualidade ao cidadão. Isso é má gestão pública. A MTI tem a expertise em tecnologia, mas precisa de direcionamento claro e objetivo por parte do conselho administrativo e de governança.
Cabe a novo governo cumprir sua promessa de campanha e reavaliar o Plano de Negócios da empresa inserindo novas prioridades, metas, indicadores e condições justas para efetivar um pacto de resultados antes de avaliar a produtividade da empresa e decidir por fechá-la. O uso inteligente da TI pode significar um mundo de oportunidades para Mato Grosso.
Nós, servidores da MTI, estamos dispostos a auxiliar o estado em todos os seus processos levando em conta a nova legislação das estatais (Lei Federal 13.303/2016). Estamos certos de que se melhor governada, a MTI poderá integrar sistemas e agilizar as entregas através da concentração de sua infraestrutura. A empresa, por exemplo, pode agilizar serviços ao cidadão com uso de APPs e racionalizar as aquisições de softwares e hardwares de todos os órgãos e autarquias gerando economia.
Este meu “diálogo” incomum é para abrir discussões e não para concluir pensamentos. Sirvo para contribuição nesta reflexão da TI no governo Mauro Mendes.
* Ideraldo Bonafé é analista de T.I da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI).