Mãe aos 17 cria página na web para mostrar cotidiano do filho com down

mãe aos 17 cria página na web para mostrar cotidiano do filho com down



Mãe aos 17 anos, a fotógrafa Beatriz Bombazaro Borges Fonseca, hoje com 20 anos, criou um perfil em uma rede social para contar um pouco do cotidiano do filho dela, Enzo Asafe Bombazaro Fonseca, de 2 anos e portador de sindrome de down. A mãe diz que pretende quebrar alguns tabus com as fotografias que mostram o cotidiano da família, que mora em Cuiabá. A página já tem mais de 3 mil seguidores.
Beatriz conta que, depois de receber diversos depoimentos de desconhecidos e perguntas de pessoas que gostariam de saber um pouco mais sobre a vida deles, o site se tornou uma maneira de comentar alguns assuntos delicados que envolvem a condição genética.
“O foco da página é acabar com a visão preconceituosa que algumas pessoas têm sobre a síndrome de down. E eu falo isso porque eu também via a questão com preconceito, porque no fundo é isso que a sociedade nos passa. Além disso, meu objetivo é também tranquilizar as mulheres que ficaram sabendo que o filho tem down, mostrar que não é preciso se desesperar”, relata.
O trabalho nas redes sociais foi justificado ainda mais após algumas situações desagradáveis que Beatriz diz ter passado. Entre os relatos, ela diz que oportunidades já lhe foram negadas por causa da condição do filho.
“Muitas pessoas falam que não têm preconceito, mas sempre vemos que não é bem assim. De vez em quando ouço comparações maldosas com ele [Enzo]. Dizem 'meu filho faz isso e aquilo' e me perguntam se o meu faz também. Já cheguei a ouvir gente dizendo que o filho era normal, supondo que o meu não é”, conta.
Beatriz descobriu que o filho era portador da síndrome no segundo ultrassom. Depois disso, começou a pesquisar sobre a condição e as implicações. Ela revela não ter sido fácil no primeiro ano porque o filho só pode ter alta do hospital com um ano e 7 meses.
Mãe diz que o filho adora fazer poses para fotos (Foto: Reprodução/ Instagram)
As complicações geradas pela síndrome de down fazem com que os pais passem por vários médicos. A jovem conta que é difícil custear todas as visitas a especialistas no setor público de saúde devido à superlotação. Já no setor privado o que dificulta é o preço.
“Tudo é muito caro. Eu queria dar muito mais para que ele não tenha muitas dificuldades no futuro, mas é complicado. Já estamos pesquisando a questão da escola e ficamos meio receosos com o preço das [escolas] particulares e, de outro lado, a falta de condição de algumas públicas. É uma questão que estamos ponderando muito”, diz.
A fotógrafa, que é casada com o pai de Enzo, Maycon Douglas Souza Fonseca, de 22 anos, avalia que uma boa base familiar e o apoio das pessoas mais próximas são fundamentais para melhorar a vida de pessoas portadoras da síndrome de down.
“Graças a Deus todos da minha família aceitaram a condição do Enzo e me ajudam na criação dele. Esse amor precisa começar na família. Se o preconceito começar dentro de casa, tudo fica muito mais difícil”, defende.
A jovem diz que o filho é muito ativo e sempre chama a atenção por onde passa pela felicidade que demonstra. Ela afirma que não tem problema em tirar as fotos porque o pequeno adora estar de frente para a câmera.
“Ele é muito carinhoso, extrovertido e adora outras crianças. Essa alegria é refletida quando pego a câmera. Acho impressionante como ele sempre começa a fazer poses e a sorrir quando estou com o equipamento. Eu falo que quando ele crescer ele será meu auxiliar”, conta.
Beatriz vive com o filho e o marido, que é pai de Enzo (Foto: Reprodução/ Instagram)