Jesus Cristo, as armas e o ódio

Jesus Cristo, as armas e o ódio

A política é uma coisa tão perfeitamente humana que Jesus Cristo, um ser Divino, preferiu não tratar dela. Resumiu se a delimitar os campos com a seguinte sentença:

“Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (presente nos evangelhos de Mateus 22:21; Marcos 12:17; Lucas 20:25). Mesmo assim tem gente que se diz Cristã e, por motivações políticas, insiste em usar a imagem de Cristo para defender coisas que ele combateu, como o ódio e a indiferença pelos que sofrem.

Me chama especial atenção postagens em redes sociais atribuídas à padres e pastores de igrejas que professam o Cristianismo e usam citações bíblicas para justificar o armamento da população.

Juram ter fundamento religioso a tese de responder violência com mais violência. Garantem que Deus nos autoriza matar qualquer um que ameace nosso patrimônio ou mesmo nossas ideias.

Como os demônios que Jesus alertou que viriam para nos enganar (Mateus 24:5; Marcos 13:6), distorcem a Verdade para nos conduzir ao abismo. Abaixo vou provar como eles estão errados, mas antes peço que você pegue os Evangelhos para conferir o que digo. Não peço que confiem em mim, mas rogo para que não duvidem de Jesus.

Jesus Cristo nunca recomendou que combatêssemos o ódio com ódio. Ao contrário, Ele veio a terra para nos recomendar o perdão (Mateus 18: 21-22; Mateus5:38-47, Lucas 6:26-29), o acolhimento e a salvação de todos (João 17: 13-26) e aconselhou o amor como caminho para a unificação do mundo (João 15:17).

Jesus também condenava a violência. Só a admitia justamente contra aqueles que usavam ‘a Casa do Pai’ (templos religiosos)  para fazer negócios e ganhar dinheiro.

Ele, que calmamente havia resistido às tentações do diabo ( Mateus 4: 1-11), se enfureceu e pessoalmente agrediu e expulsou os vendilhões que se aproveitavam do espaço destinado a Deus para auferir lucros (Mateus 21: 12-14 ; Marcos 11:15-18, Lucas 19:45-48; João 2:13-22).

É o único momento que o vemos enfurecido e esta reação foi um dos motivos que levaram os fariseus a tramar sua morte.

Mas Jesus deu demonstrações práticas de que não aprovava a violência, nem para preservar sua própria integridade. Se quisesse ele poderia ter feito morrer todos os seus inimigos. Mas preferiu respeitar a LEI para que se cumprisse a vontade de Deus Pai.

É bom destacar que Ele repreendeu o apóstolo Pedro por ter agredido um dos soldados enviados para prendê-Lo (Mateus 26:50-53; Marcos 14: 47-48; João 18:10-12). E fez neste momento um de seus últimos milagres, restituindo a orelha do pobre soldado (Lucas 22:47-51).

Os exemplos práticos de perdão, amor e de como esses sentimentos (ao invés do ódio) podem produzir a conversão dos ‘maus’ nos foram dados até os últimos momentos de Jesus. Ele foi crucificado entre dois ladrões.

Um deles reconheceu o Salvador, aceitou a palavra de salvação, rejeitou o ódio e foi convidado a cear na mesa de Deus (Lucas 23:39-43).

O outro ladrão e todas as pessoas que haviam condenado e matado Jesus também foram perdoados por Ele (Lucas 23:34). Afinal, ensinou o Mestre, aquelas pessoas eram dignas de pena e de perdão pois não sabiam o que estavam fazendo.

Depois de ler esse texto e conferi-lo nos quatro Livros Sagrado eu pergunto: Você sabe o que está fazendo com a sua vida e com a vida dos outros?

Independente da resposta, fica o pedido para que não use e nem deixe ninguém distorcer as palavras de Cristo – usando o nosso Deus de amor para promover o ódio, a violência e a discórdia entre irmãos.

*Eduardo Ramos é cristão, ex-seminarista e jornalista em Rondonópolis.