Índios retomam bloqueio e cobrança de pedágio em rodovia federal de MT

| guiratinga | prefeitura amplia distribuição de água no distrito do alcantilado

Índios da etnia Nhambiquara retomaram neste domingo (24) o bloqueio com cobrança de pedágio imposto há pelo menos cinco dias em trecho da rodovia federal BR-174, entre os municípios de Comodoro e Pontes e Lacerda, distantes a 677 e a 483 km de Cuiabá, respectivamente. De acordo com o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Pontes e Lacerda, cerca de 150 índios cumpriram o que haviam anunciado e retomaram o bloqueio às 6h, com previsão de suspensão da medida somente às 18h.

Ainda segundo a PRF, neste quinto dia de bloqueio o pedágio continua sendo cobrado dos motoristas que passam pelo local. Os índios cobram R$ 25,00 para liberar a passagem de veículos pequenos e R$ 50,00 para veículos de grande porte, como caminhões ou ônibus.

Trechos da estrada continuam parcialmente obstruídos por cones e pedaços de madeira, de forma a dificultar a passagem dos motoristas, que, caso se recusem a pagar, são ameaçados com arco e flecha.

Assim como nos dias anteriores de bloqueio, equipes da PRF oriundas de Pontes e Lacerda (cujo posto está a 230 km de distância) e da cidade de Vilhena (RO) permanecem monitorando a ação dos índios. Neste domingo ainda não foi observada qualquer ocorrência de violência no local, informou a PRF.

Bloqueio e pedágio

O bloqueio dos últimos dias não é o primeiro realizado pelos Nhambiquaras na região este ano.

No último dia 19 de abril (Dia do Índio), eles realizaram a mesma cobrança na BR-174, perto do município de Comodoro. Na ocasião, a cobrança de pedágio seguiu os mesmos moldes – inclusive com a utilização dos mesmos “recibos” impressos e entregues aos motoristas pagantes com os valores para cada tipo de veículo.

O ato na rodovia era uma forma de protesto, segundo os índios, e a reivindicação da época era a mesma de agora: segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), os indígenas cobram o cascalhamento de uma estrada de acesso às suas comunidades na região, além da instalação de energia elétrica em todo a área indígena e a liberação para a construção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no Rio Juína (nos limites das terras indígenas dos povos Nhambiquara), a fim de receberem indenização da empresa responsável pela obra.

Por meio de nota, a Funai informou que todas as reivindicações apresentadas pelos indígenas vêm sendo discutidas e que providências em relação a elas já estão sendo tomadas.