Fevereiro Roxo entra na pauta do Departamento de Saúde Bucal com abordagem multidisciplinar

Da Assessoria

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Fevereiro Roxo entra na pauta do Departamento de Saúde Bucal com abordagem multidisciplinar

Antes tratadas somente por especialistas, lúpus, fibromialgia e mal de Alzheimer recebem, agora, atenção também de odontólogos que podem identificar sinais dessas patologias e orientar seus pacientes, assim como ofertar-lhes os cuidados necessários que eles requerem. Essas três enfermidades são foco de reflexão da campanha do Fevereiro Roxo. Embalado pela mobilização que toma conta do segundo mês do ano, o Departamento de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) volta seu olhar para elas e, por isso, preparou uma programação especial para falar a seu respeito.

“A equipe da Saúde Bucal está cada vez mais atenta à prevenção com o intuito de abranger temas correlacionados e, ao mesmo tempo, fazer com que os usuários e seus familiares entendam que a saúde começa, num todo, pela boca. Quando estamos com a saúde bucal em dia, o tratamento das mais diversas doenças se torna mais fácil”, pontua Júlia Santana, servidora da SMS que trabalha como apoio técnico em prevenção bucal.

Dentro do planejamento preparado pelo Departamento de Saúde Bucal, o Dia D será 10 de fevereiro e, este mês, terá maior destaque na unidade da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Canaã, contando com uma roda de conversa prevista para as 7h30, no período matutino, e às 13h30, no vespertino, conduzida pela cirurgiã-dentista responsável técnica pelo serviço de odontologia da ESF Canaã Simone de Souza Ribeiro Rezende. Durante o debate, o público vai poder fazer perguntas e será contemplado com kit de higiene bucal contendo fio dental, além de escova e pasta de dente. Após esse momento informativo de educação e saúde, será dado seguimento às consultas já marcadas e, também, realizado agendamento para quem sentir necessidade e ainda não tiver reservado um atendimento.

“A odontologia hoje deixou de ser só boca e dentes. Então, os profissionais da Rede Pública de Saúde devem estar aptos a acolher pacientes com limitações como mal de Alzheimer, lúpus e fibromialgia”, observa a dentista e aconselha: “Devemos nos preocupar tanto com eles quanto com seus cuidadores para podermos orientá-los”. Aberto para toda a comunidade do bairro, também estará presente no diálogo a equipe de agentes comunitários de saúde. “Esses profissionais vão atuar como multiplicadores entre os moradores da Vila Canaã, tendo um papel fundamental na divulgação desse conhecimento”, frisa Simone.

Além da ESF Canaã, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) onde há atendimento odontológico em Rondonópolis vão promover ao público local, simultaneamente, nesta mesma data, colóquios sobre esse assunto, antes do atendimento odontológico, pela manhã, às 7 horas, e, à tarde, às 13 horas.

Para Júlia Santana, é preciso saber entender os portadores das doenças que formam o tripé do Fevereiro Roxo: “Além das suas necessidades orgânicas, é importante compreender também suas angústias. Esses pacientes fazem parte das pessoas que devem receber atendimento diferenciado. Essa campanha tem o objetivo de conscientizar a população sobre três doenças incuráveis e com altos números no Brasil. Cada um dos transtornos tem suas peculiaridades, mas todos requerem atenção e cuidados que podem, inclusive, diminuir as dores e desconfortos de seus respectivos sintomas”.

Dando uma prévia de sua apresentação no dia 10, Simone adianta algumas observações. Inicialmente, comenta sobre um distúrbio neurodegenerativo que começa com a perda de memória e pode chegar à demência. “Um paciente com Alzheimer, por exemplo, pode ter um comportamento típico decorrente dessa doença, apresentando-se agitado ou deprimido. Devemos ser capazes de interpretar seus sinais e orientá-los tanto quanto a seus cuidadores sobre a atenção dispensada à saúde e à higiene bucal com técnicas de escovação e, ainda, à alimentação. Caso um familiar perceba que esse indivíduo rejeita alimentos, deve verificar se ele não está com dor de dentes. É preciso estar atento a esses indícios e investigar. Esse paciente também pode ter alterações no sono e, por isso, demonstrar desconfortos”, indica a odontóloga.

Ela ressalta que machucados em membros externos do corpo, como no braço ou perna, são fáceis de perceber, pois o machucado é visível. No entanto, com a saúde bucal é diferente e, assim, é preciso levar a pessoa a abrir a boca para ver se está tudo bem lá dentro. Simone lembra que o mal de Alzheimer é uma doença lenta e progressiva, já que ninguém fica com as funções comprometidas de uma hora para outra.

Sendo autoimune, o lúpus manifesta-se com outras características. “Nessa doença o próprio organismo do paciente se ataca podendo atingir vários órgãos. Então, se eu tenho um paciente com diagnóstico de lúpus, preciso me adiantar na prevenção das enfermidades, já que ele tem uma defesa imunológica baixa”, reflete Simone, que continua: “O lúpus não contribui diretamente para maior incidência de cárie, mas sim de lesões bucais. E também pode ocasionar a diminuição da saliva, o que propicia o aparecimento de úlceras e da cárie. Diferentemente do paciente com Alzheimer, que nem sempre tem consciência de que é portador da doença, o de lúpus tem”. Simone também aponta os diversos gatilhos do lúpus, como exposição solar desprotegida, infecções em geral, tabagismo e fatores emocionais. “Cabe ao dentista alertar o paciente sobre esses elementos que podem desencadear a crise, porque a intenção é manter a enfermidade sob controle e silenciada o tempo mais prolongado possível, permitindo maior qualidade de vida para o indivíduo”.

Doença crônica composta por um conjunto de reações, a fibromialgia revela-se por meio de uma série de transtornos. Sono e humor alterado, limiar de dor muito baixo e problemas psicossomáticos, fadiga, indisposição e propensão à depressão são alguns dos indícios dessa síndrome, segundo a dentista. “O portador de fibromialgia é um paciente poliqueixoso, ou seja, ele tem diversas reclamações. A sintomatologia dessa enfermidade é variada e isso gera, inclusive, dificuldade para o diagnóstico médico. Então, o odontólogo deve estar atento para identificar os sinais que ela dá e ter paciência”, acentua.

Relatos de dores no masseter – que é o músculo localizado lateralmente próximo à mandíbula e auxiliar da mastigação –, na região temporal e na cervical são outras queixas de quem possui fibromialgia, que pode também ter boca seca em decorrência dos medicamentos antidepressivos. “Esses pacientes podem apresentar ainda ardência bucal. Muitas vezes é necessário reforçar as adaptações de próteses na boca e indicar fisioterapia específica para a região orofacial”, destaca Simone.

Nas três doenças sobre as quais o Fevereiro Roxo chama a atenção o acompanhamento médico é essencial, de acordo com a dentista. “A odontologista, além de zelar pelo bem-estar odontológico dos pacientes, deve ser um influenciador de um estilo de vida saudável”, avalia.

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